segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Exames médicos e confusões

Exames médicos e confusões

Outro dia minha amiga estava muito preocupada porque teria que fazer urgentemente uma cirurgia, pois estava cheia de pedras na vesícula. Ela havia feito uma ultrassonografia há dois anos, que haviam acusado o problema. Lá foi ela então passar por consulta novamente, com o mesmo médico da família que havia solicitado o primeiro exame, para verificar como estava a situação. O médico deu a maior bronca pelo desleixo em deixar passar tanto tempo e solicitou novo exame.
Minha amiga fez o exame, durante o qual, o técnico, não conseguindo localizar pedra nenhuma, mandava minha amiga virar de cabeça para baixo, se sacudir, virar de um lado, de outro, e nada de pedras. Sumiram todas. Milagre! Aconteceu um verdadeiro milagre!
De volta ao consultório, o médico de família não se conformava. “Mas como, as pedras estavam aqui, isto é impossível”. Pegou a radiografia, examinou minuciosamente. Parecia impossível que os exames fossem da mesma pessoa. De repente, uma luz brilhou nos seus olhos e na sua mente de especialista famoso. Correu para o arquivo, pegou a pasta da mãe da minha amiga, que também se consulta com ele. Pois é, as pastas estavam trocadas. As pedras eram da mãe...
Por falar em mãe, mãe é mãe, como diz o ditado popular, faz qualquer sacrifício. Há uns 30 anos mais ou menos, eu precisava muito de um emprego e não podia esperar outra oportunidade. O emprego era para substituir uma funcionária grávida, então eles tinham pressa e me deram um dia para fazer todos os exames de sangue, de urina e de fezes. Acho que eu estava tão estressada que não consegui fazer o de fezes. Corri para casa da minha mãe e pedi para que meu irmão, que era bom nisto, fizesse o exame por mim, mas ele não conseguiu me ajudar. Aí apelei para o coração de mãe, modo de dizer. Implorei para que ela fizesse o tal cocô, para que eu levasse no dia seguinte, e assim conseguisse o tal emprego. Ela fez o maior esforço e me trouxe umas bolinhas, que pareciam de cabritinho. Mas foi melhor do que nada. Consegui o trabalho, fiquei aliviada.
 Ainda bem que eu ainda não tinha o Chiquinho, meu Yorkshire porque se não ia sobrar para ele e de repente iam me vacinar contra raiva antes de me contratarem.

sábado, 18 de agosto de 2012

Hóspedes e Inquilinos

Hóspedes e Inquilinos

Se existe um traço que marca minha personalidade é a coragem. Como disse minha filha uma vez, meu mundo é um mundo à parte, um mundo cuja redoma inexistente permite que muitos personagens diferentes penetrem e invadam minha vida. Desde que meu filho comprou seu canto aconchegante e saiu de casa, alugo a suíte onde ele dormia, o quarto que ele usava e era seu mundo. Foi uma forma de ter alguém por perto e fazer um dinheirinho extra. Já passaram várias pessoas, e todas muito especiais e diferentes, com qualidades e defeitos, com coisas boas e ruins.
Conviver é uma arte, das mais difíceis eu sei, mas tenho aprendido muito, e quem sabe, ensinado muito também. Começou com uma austríaca, um amor de menina, meiga e muito simpática, um doce de coco. Bebia bastante, porém, e quando chegava ao prédio onde moro, nem sabia para onde ir, entrava cambaleando e com a latinha de cerveja na mão, mas era uma artista. Pintou o quarto com sereias, estrelas e tudo que coubesse na imaginação dela.
Depois veio a russa. Um mulherão no sentido literal da palavra. Tinha os cabelos negros até a cintura. E adorava a cor verde. Tudo era verde. Os sapatos, a maquiagem, o vestido, e pasmem, as unhas dos pés e das mãos. Ela era muito estranha. Adorava se sentar na sala e assistir o jornal da Band, se inteirar das notícias do mundo. Torcemos juntas para OBAMA. A extravagância dela era do mesmo porte do seu ego. Uma vez, pegou uma colgadura, de dentista, e no lugar do RaioX colocou seis fotos de desconhecidos, fotos que comprou na feirinha da Benedito Calixto, e fez um colar. Saiu na rua, toda de verde, para variar, sombra verde, alta, com aqueles longos cabelos negros e aquela cara esquisita. Quando voltou para casa, para lá de entusiasmada, com olhar de louca e rosto afogueado, me disse: “Estou lançando moda, todo mundo me olhava na rua, adoraram, vou fazer umas peças destas para vender na feirinha do MASP.” E não é que na semana seguinte lá estava ela, embaixo do vão do Masp, tentando vender suas obras de arte? Aprontou muito a tal russa, mas cada dia vinha com uma novidade. A comida que fazia era uma gororoba monstruosa marrom, que tinha um cheiro horrível, a criação de peças das mais inusitadas, as “obras de arte” que ela colocava no seu blog, a filosofia de vida e no final, gente que é gente acaba se envolvendo, na verdade ela era uma solitária e com uma dolorosa história de vida. Estamos todos aqui para aprender. Depois veio minha mineirinha que ficou um ano e meio por aqui. Muito na dela, não se envolvia na casa. Ficava sempre no quarto, seu mundo particular. Mas participou de todas as festas e partilhou dramas da minha família. Foi muito discreta, atenciosa e solidária quando precisei dela. Foi uma boa convivência e se ficasse mais um ano e meio teria sido um prazer.
Aí veio um rapaz que a princípio pensei que fosse muito tímido e educado. Mas era muito jovem e melindroso. Se eu comentasse sobre algo que não estava bem, ele respondia mal. Nunca lavou uma xícara minha sequer. Eu lavava as dele às vezes, afinal é natural ter estas delicadezas quando se mora junto. A situação foi piorando, mas não pensei que chegasse a ser tão ruim. Enquanto eu viajei ele trouxe a família para ficar no meu quarto, na minha cama, nos meus lençóis e trouxe companhia para o quarto dele algumas vezes. Tudo sem pedir minha autorização e sabendo que isto não seria permitido, afinal todos meus hóspedes assinam um contratinho que é lido antes de morarem aqui. Quando cheguei de viagem encontrei tudo revirado e quando reclamei ele alegou: “Agora você voltou e pode fazer as coisas do seu jeito!” de certa forma me afrontando.
Agora tenho um hóspede que é uma gracinha. Sabem aquele menino bom, educado, respeitador e atencioso? Fiquei emocionada quando vi como ele se preparou e preparou quarto e comida para receber a namorada. E este sim, pode trazer a namorada para ficar aqui uns dias, porque perguntou primeiro, porque é uma namorada e não uma “ficante” ou “peguete” que se encontra num barzinho, porque foi claro, honesto, sincero. A namorada chegou sorridente, trazendo de presente uma toalha de crochê feita para mim, pela mãe dela, quanta gentileza. Este rapaz não fica separando minha louça da dele. Se ele está lavando a louça, lava também a minha e a recíproca é verdadeira. Este eu posso considerar um filho polonês. Rapaz de princípios morais e religiosos. Sabem aquele genro que toda sogra pediu a Deus? E que romântico... Foi buscar a namorada no aeroporto de terno e com flores, é, isto mesmo, é daqueles que ainda mandam flores.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Caminhadas e Aprendizado

15 de maio de 2012
Caminhadas e Aprendizado

Hoje sai para minha caminhada diária em direção ao Citi onde dou aulas de Inglês. Sempre agradeço a Deus por estas caminhadas porque eu vejo tantas coisas, tanta vida, tanto para pensar e aprender e muito mais ainda para agradecer. Às sete da manhã estava friozinho. Olhei para as nuvens no céu, elas estavam loucas, devido ao vento, movendo-se rápido demais, nunca tinha visto o céu assim, tão cheio de nuvens, mas entre elas, de repente, aparecia aquele céu azul, um azul lindo. E coincidentemente enquanto eu observava o céu uma mulher veio andando em minha direção, com um casaco de nylon exatamente da mesma cor. Bonito dia. Passo por varredores de rua e lhes digo: “Bom dia!” E eles respondem ao cumprimento com um baita sorriso nos lábios e o sorriso destes simples trabalhadores aquece meu coração e minha alma. Como eu gosto de gente. O homem com a ferida na perna, aquele que vejo frequentemente, há doze anos na Paulista, do mesmo jeito, só um pouco mais velho, continua na cadeira de rodas. E me pergunto se realmente o inferno não é aqui mesmo. Segundo os espíritas nosso planeta não será mais de expiação. Será? Continuo acreditando na vida após a morte, mas acho que a Terra, dependendo da situação que vivemos, é o castigo e o inferno, a remissão dos nossos pecados. O outro velho mendigo, gordo, com unhas dos pés de 5 cm, mora na esquina da Pamplona com Paulista e lá está ele todas as manhãs, dia após dia. Outro, bem magro e encurvado, anda com uma barra de ferro na mão, praguejando e tentando bater em cada pedestre que passa por ele. Na mesa de um restaurante, colocada na calçada, ouço o casal que briga, logo de manhã, ela argumentando que “fulano” não a havia embebedado.
Continuo caminhando, ao meu lado passa uma mulher de turbante e logo a seguir uma executiva elegante. Um casal se beija apaixonadamente, a esta hora da manhã, provavelmente se despedindo da noite de amor. Parecem realmente apaixonados. Os contrastes são impressionantes. Passa um homem imensamente gordo, com as banhas todas balançando e com o passo lento e cansado. E logo depois uma mulher tão magra que eu podia jurar que só tinha ossos. São muitos os deficientes físicos que vejo em meia hora de caminhada. Será que é mesmo porque existem mais acidentes atualmente, como mencionou uma amiga minha ou será porque finalmente eles estão podendo sair do armário, antes confinados a suas casas, dependendo de algum parente ou amigo. Agora saem, trabalham, vão ao cinema, vão aos Shoppings e estão convivendo e interagindo com o mundo ao seu redor. Isto é muito bom. Hoje vi seis deles indo para seus trabalhos e um deles cortou meu coração. Um rapaz bonito, de terno, uns 35 anos, sem braços e sem pernas. Indo para o trabalho. Dois casais de gêmeos. Duas jovens adolescentes com rosto cheio de espinhas, bonitinhas, são idênticas. E dois rapazes um pouco mais velhos. Um casado e outro solteiro. Como eu sei? Eles pararam do meu lado para atravessar a rua. Os dois no mesmo gesto, com os braços na cintura, como açucareiro. Um tinha aliança de ouro nova, brilhando, outro não. O “solteiro” tinha um jeito mais descontraído, sapatos estilo mais casual, camisa arregaçada nas mangas. O outro era mais sério, todo certinho e mais tradicional. A rua é um filme de Fellini e podemos ver os tipos mais estranhos. A jovem de mini saia colorida, botinhas, cabelos longos avermelhados e longos até a cintura, linda e ao lado dela, logo a seguir, passa um rapaz baixinho, débil mental, careca, branco, quase transparente, sozinho, com as sacolas do super mercado.
Destinos, vidas, dores, frustrações, alegrias. Olho seus rostos e tento imaginar suas vidas. E assim caminhando aprendo, rezo e agradeço a vida.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Passeios e conjecturas

Passeios e conjecturas em Sampa...

Quando não estou andando pelas ruas de Roma, ao sol que arde todos os dias no verão, com o céu totalmente azul e sem nuvens, suando sim, mas alegre e descontraída, na terra de minha mãe e de minhas fadinhas, caminhando embaixo dos plátanos ao longo do Tevere, e nem tampouco andando nos undergrounds de Montreal ou ao ar livre, sob sensação térmica de menos cinqüenta graus (negativos), que frioooooo, faço meus passeios por aqui mesmo em Sampa, na Avenida Paulista, indo para cá e para lá, para dar aula, para ir aos médicos, à psicoterapeuta, na fisioterapia.
Quem disse que não é divertido? Faço caminhos diferentes e acabo me divertindo ou aprendendo muito sobre a vida. Para ir ao gastro, por exemplo, tenho que descer uma escadinha fulera, nas bocadas, atrás do Shopping Paulista, para cair na Rua Maestro Cardim. Vou a pé da Angélica até lá, tranquilamente, uns 6 km mais ou menos.
É uma escadinha muito democrática. Já passei por ela em vários horários. Na parte da manhã, vejo crianças brincando e pulando os degraus, ou brincando com suas babás ou mamães. Na hora do almoço, o ambiente é totalmente outro. Trabalhadores, operários de construções de prédios da vizinhança, estão comendo em suas marmitas e depois, abrem a camisa e deitam ali mesmo, fazendo um cochilo enquanto tomam um pouco de sol. No final da tarde a escada vira um “maconhódromo”, como se estivessem a sós, rapazes e moças, acendem e partilham seus baseadinhos, sem nem notar a presença da senhora que passa em seus passeios estapafúrdios.
Na Paulista a diversidade é maior ainda. Tem de tudo, de cover do Michael Jackson a estátuas vivas, desde demonstrações de aulas de tango, a ciganas, cheias de filhos pequenos, pedindo esmolas. E se prestarmos atenção nas conversas então, o divertimento é maior ainda, vão de brigas de namorados a assuntos de política. Bem diz minha amiga, que mora em um bairro super residencial e tranqüilo, que aqui é outro mundo.
E assim faço uma terapia “extra” por estes caminhos de ruas, ruelas, escadinhas, avenidas e pelos caminhos da minha vida.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Será que estou com depressão pós parto?

Será que estou com depressão pós-parto?
Primeira parte
Bem, há um mês resolvi comprar um cachorrinho, um yorkshire petit. Uma gracinha. Há tempo que eu vinha falando que queria outro cachorrinho, pois sentia saudades do Fidel, meu Fred Astaire, meu basset, que morreu em maio de 2009.
Tinha dúvidas se devia ou não pegar outro cachorro porque com a filha em Roma e o filho com projeto de voltar para Montreal, para terminar lá seu doutorado, eu tenho que estar sempre viajando e com um cachorro tudo fica mais difícil. Apesar de ter sido uma decisão consciente, admito que estava um pouco desgastada afinal vinha enfrentando várias coisinhas chatas nos últimos dois anos e fui impulsiva. Foi assim: num sábado estava passeando, meio chateada, ou melhor, meio triste, por uma rua pela qual nunca tinha passado e passei por um pet shop. Resolvi entrar. Vi um cachorrinho desta raça e fiquei encantada. Troquei idéia com várias pessoas dentro do Pet Shop e todos me aconselharam a pegar o bichinho, mas quando soube o preço, caro demais, desisti e continuei meu passeio. Acabei achando outro pet shop e vi outro cachorrinho da mesma raça pela metade do preço. Agora não tinha desculpas. Quando o peguei e ele fez manha, cortou meu coração e decidi levá-lo na hora.
Realmente eu estava acostumada com o Fidel, que nasceu e viveu 4 anos em Atibaia antes de vir para São Paulo. Com um quintal, um jardim, onde ele fazia as necessidades, corria, pegava passarinhos, Fidel nunca fez xixi dentro de casa. Mas o meu pequeno Chico é um mijão, não sei como cabe tanto xixi dentro dele. De hora em hora minha área está toda mijada. E aí coloco jornal, enxugo, passo pano com cândida para que ele não se acostume a fazer ali, mostro o lugar certo, tento ensinar e treinar, mas nada. Quando acabo de limpar tudo, ele vem e faz xixi de novo e depois se esconde. Então, se ele se esconde, será que é porque sabe que fez coisa errada?
Bem se este fosse todo o problema, seria fácil. Ele começou a vir com tiras compridas de farpa de madeira. Descobri que estava comendo o armário por baixo. Chamei meu “faz tudo” e ele tirou uma folha de madeira que poderia estar meio gasta e me mostrou que agora estava tudo lisinho embaixo do armário e não haveria mais problema. Que nada! Depois de um dia lá veio Chico novamente com farpas maiores ainda. Ele está literalmente comendo todo o armário por baixo, pois o vão é exatamente do tamanho dele. Então ele come o teto da casa dele...
O tal pipi dog, invenção dos humanos, agora só serve para que Chico coloque de castigo todos os brinquedos que ele tem. Não entendo, acho que Chico também precisa de uma psicanalista. Ele pega um por um, todos os brinquedos e os coloca de castigo no pipi dog.
Só sei que o preço dele, mais a caminha, mais a bolsa para levá-lo passear, mais brinquedos, mais vacinas, mais o portão que agora foi outra história para morrer de rir (não sei se choro ou se dou risada), já chegou no preço do primeiro cachorrinho que eu vi.
Pois é, o portão. Como a veterinária falou que eu o deixasse num lugar isolado, na área, para que ele aprendesse a fazer xixi no lugar certo, eu coloquei meu pôster de cantora, da época que cantava na TV Bandeirantes, que fim de carreira..., para separar a área, da cozinha. Mas fiquei com pena do bichinho ali isolado e achei que se colocasse um portão, ele poderia me ver dando as dez aulas que dou diariamente e se sentir menos separado de sua dona... eu.
Instalei o portãozinho e da sala eu o via e ele a mim. De repente, no meio da aula, quem aparece na sala dando risada da minha cara? Chico, todo satisfeito. Na dúvida, eu e meu aluno o colocamos novamente do lado da área e ficamos observando, pois achamos impossível que ele atravessasse a grade. Ele colocou a cabeça e foi se espremendo todo até que passou e veio novamente gargalhando na nossa cara. Nada feito. Vou ter que colocar tela para que ele não passe mais.
Caramba!
E o pior ainda é ter as pessoas contra mim... Quando outro dia mencionei que se eu não agüentasse, não me adaptasse, eu venderia o bichinho ou doaria para meus netos, caíram matando, dizendo que eu não tinha coração, não tinha cabeça para ter cachorro, que o pobrezinho já estava apegado a mim. Virei a bruxa da Branca de Neve. Outra vez. Já vi este filme quando internei minha mãe numa clínica.
E eu? Quem cuida de mim?
Então cheguei à conclusão que estou com depressão pós-parto. Querer o filho eu queria, mas ter que cuidar, lavar chão dez vezes por dia, dispensar todo meu tempo livre, que já é pouco, para ele, ficar dando aulas preocupada o tempo todo que o bichinho pode morrer entalado com uma farpa de madeira, gastar uma grana que poderia gastar para mim mesma e ainda ter que pensar no que vou fazer quando tiver que viajar, aí são outros quinhentos.
Alguém se habilita???
Segunda Parte
Vamos falar a verdade. Hoje em dia quantas mães cuidam de verdade de seus bebês? E a desculpa é que trabalham fora, mas eu também sempre trabalhei. No meu tempo de mãe lavei mil fraldas de cocô, fervi mamadeiras e chupetas, lavei bundinhas toda vez que os filhos faziam cocô, dei banho. Além de brincar, estimular, ensinar a ler e por que não contar, até a dirigir eu ensinei meus filhos. E com a maior paciência. Agora tudo é diferente. As mães, apesar de todas as facilidades: fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos, aparelhos para ferver a mamadeira, etc..., ainda têm as famigeradas babás, que assopram a comida do bebê e a mãe nem vê (já vi esta cena nos shoppings inúmeras vezes). Eu mesma nunca assoprei na comida dos meus filhos.
Pois é, vou comprar os lencinhos umedecidos para Chico. Toda vez que eu vier da rua, vou gastar um lencinho para cada patinha. Eu estava usando uma toalhinha branca, que ficava preta a cada passeio. Vou facilitar minha vida de mãe moderna. Se precisar vou colocar fralda descartável, como vi hoje no cachorrinho de uma amiga. Vou contratar um adestrador para ensiná-lo a dar a patinha e quem sabe este profissional também vai lhe dar de comer soprando na comidinha dele...
Mas , sem brincadeira, estou começando a me divertir com Chico. Corro pela casa e ele vem atrás de mim. Na rua ele faz o maior sucesso. Ele é lindo. Ontem fomos ao Center 3 e todos paravam e faziam festa. Tenho reparado que as pessoas fazem mais festa para os cachorros do que para bebês. Como disse o marido de uma amiga minha, estamos humanizando os cachorros. Hoje fui com Chiquinho tomar café da manhã na Padaria Vila Bahia e todas as mesas tinham cachorrinhos, quietinhos, aguardando que seus donos tomassem seus cafés. E cachorro é um ótimo puxa papo, conversei com um jovem da idade do meu filho, com uma senhora, com outro casal. Ele é divertido, corre pela casa com minhas havaianas agarradas pelos dentes e fica no meu colo enquanto escrevo minhas crônicas.
Tenho brincado bastante com ele e estou começando a me adaptar. Vamos ver se é fogo de palha ou amor de verdade...

sábado, 10 de setembro de 2011

Escritos de Tia Rosetta

Escritos de Tia Rosetta

Mara
J´ai une petite nièce, fille de ma soeur. Elle s´appelle Mara.
Quand j´ai quelque chagrin, il suffit que je la songe pourquoi la tristesse s´efface.
Tout les enfants sont jolis et je les aime tous, mais Mara est particulièremente belle et je l´aime au dessus de tous les enfants dela terre.
Elle a quatre ans, un petit visage rond, des yeux très grands d´un bel brun brillant et une charmante petite bouche rose. Elee est comme un oiseau; elle chante, saute, pépie toujours. Elle est ma petite poupée et je m´amuse en lui faisant les folies robes.
Je ne connais rien d´aussi doux que son baiser lorsqu´elle m´ambrasse pour me dire "je t´aime tante Luetta" car elle ne sait pas encore prononcer mon nom.

Le réveil de Mara
Rien de plus joli que Mara, ma petite nièce, lorsqu´elle dort. C´est la grâce, la naiveté, un ange qui dort. On la regarde dormir et on reste ému; on croît, alors, à la bonté et on ne houge pas pour ne pas l´éveiller.
Mais, si elle s´eveille c´est un nouveau charme: En même temps, elle ouvre les yeux et sourit car elle sourit toujours quand elle s´éveille comme si elle viendrait d´un lieu heureux. Puis elle renferme les yeux comme pour revoir le joli songe; puis elle les ouvre de nouveau, se retourne dans le berceau, cache les joues roses dans l´oreiller et enfin, elle dit avec une delicieuse voix pleine encore de sommeil - "Bonjour!" Les anges du Paradis doivent le dire ainsi "bonjour".

Emocionante, não é? E assim eu me dou conta mais uma vez que estamos aqui de passagem, uma viagem, onde devemos aprender tantas coisas e realmente um dia, mais cedo ou mais tarde, voltaremos para casa, ao lado DELE, que é nosso Pai.

sábado, 13 de agosto de 2011

As pérolas de ATIBAIA

É só ligar dois fiozinhos

O piso da casa havia sido trocado, as paredes pintadas, uma nova etapa da vida. A filha morava distante e o filho havia recentemente mudado para a república da Faculdade, numa cidade a três horas de distância, alertando:
- Mãe, já caiu sua ficha? Não moro mais com você.
Tinha deixado um dos banheiros sem reforma, até que uma amiga me perguntou o motivo. Aí me veio a idéia.
Marinheira de primeira viagem, totalmente inexperiente em banheiras de hidromassagem e não vendo a hora de ter a sensação de total relaxamento, após um dia de 14 horas de trabalho ininterrupto, não resisti à tentação e cedi aos meus caprichos. Por que não? Por que não me dar ao luxo, aos 50 anos de idade, de ter uma banheira só para meu lazer?
Estava animada. Os gastos da reforma tinham sido altos, mas não custava nada fazer uma pesquisa de mercado, verificar o preço da tal banheira. Uma coisinha a mais.
Tive que criar coragem, pois para mim banheira de hidromassagem é coisa de gente rica. Liguei pedindo informações para uma amiga que vendia piscinas.
Que surpresa agradável. A amiga, além de me tranqüilizar, me ofereceu preço de custo e pagamento em três cheques. E quando perguntei quanto à instalação, ela disse que era só ligar dois fiozinhos e pronto.
Que animação. Já saí cantando, nem precisava de um par: Que tal nós dois, numa banheira de espuma. Num dolce far niente.
Chamei o pedreiro, aquele cara que inventa fechaduras estrambóticas, faz adaptações do arco da velha, como dizia meu filho, o próprio Michelangelo, bom para serviços gerais, encanador, eletricista e inclusive, nas horas vagas, artista. Sim, afinal ele não havia colocado aquele monte de andorinhas no painel do pintor italiano surrealista?
Ele me disse que precisava do material, coisa à toa, para fazer a instalação.
Bem, entre joelhos, a coisa estava ficando sexy, engates, tubos, luvas, adaptadores, conectores, ele me fala: nipples, os quais, mesmo sabendo a tradução técnica, ou seja, bocais roscados, a imagem dos bicos dos seios, não me saia da cabeça. Caramba!, o que os nipples tinham a ver com a minha banheira?
O dinheiro sumindo. A brincadeira saindo cara. Como se não bastasse, tudo pronto, testando. Motor funcionando, água borbulhando, e totalmente fria.
- Mas Nenê!
Este é o apelido do nosso Michelangelo.
- A água está fria.
Ele responde, como se nada fosse:
- É assim mesmo!
O sangue italiano subindo na cabeça, falo mais alto:
- Como é assim mesmo?
Ele pacientemente:
- Não tem problema não, a senhora coloca água do chuveiro.
Fora de controle, explodi:
- Então vou ter que tomar um banho bala para não esfriar a água? Como vou relaxar? Não está certo. Tem que ter uma solução!
Nenê arrisca:
- Então temos que sair e comprar um aquecedorzinho.

Lá fomos nós pra a casa de materiais.

22:30. Para não pensar na fria, em todos os sentidos, que eu tinha entrado, na grana, nos gastos extras, eu estava quietinha na cama, calmamente, lendo um livro. O telefone toca. Meu tio faz brincadeiras do tipo, Inauguração X Banho de Espuma ao vivo e a cores. De repente me pergunta se está tudo em ordem quanto à banheira. Respondi que só estava faltando testar no dia seguinte, com o novo aquecedor. Pra quê fui tocar neste assunto? Ele mudou de tom imediatamente, disse que Nenê não entendia nada, que ia mandar um especialista amigo dele, que se os fios não estivessem a não sei quantos milímetros de distância, minha casa ia para os ares, explosão radical, curto total, choques, literalmente, na banheira, etc...
Não dormi. Ficava imaginando o terreno da casa, vazio. Tudo queimado e meus filhos chorando. Não havia sobrado nada para eles, nem casa, nem mãe. Tantos anos trabalhando para ter este único imóvel e por causa de uma banheira, um mero capricho, nada restou.
De manhã, com a cara amassada, humor de cão, ainda tentei me animar com o Cd da Evita. Mas a história ainda não tinha acabado. Tinha mais. Após três dias de choques psicológicos e financeiros, após a minuciosa inspeção do especialista no assunto, antes de ligar a famigerada banheira, o qual me garantiu que a ligação estava perfeita, quando Nenê ligou o botão, senti cheiro de queimado. Pulei assustada da cadeira, onde estava sentada, trabalhando nas coisas da escola. Nenê parecia um louco. Desligava as chaves da luz, entrava no banheiro, saia, subia no forro da casa. Estressado, o suor escorrendo da testa. Passou por mim como bala de canhão, um foguete, com o motor debaixo do braço, em direção à cidade, engasgando nervosamente e resmungando abalado e abobalhado, que ia até a cidade verificar aquele motor. Passou de Michelangelo a Rambo.
Finalmente, depois de uma semana de transtornos e menos R$1.200,00 na conta corrente, a banheira funcionou, a água borbulhou e ficou quentinha e todos nos benzemos nela, aliviados.

Viram como era simples, era só ligar dois fiozinhos!