Eu e meus sonhos esquisitos e misteriosos
Sempre sonhei muito, de todos os tipos de sonhos, coloridos, alegres, assustadores, mas principalmente esquisitos ou misteriosos.
Sonhos premonitórios, sonhos com os mortos, sonhos engraçados.
Depois de alguns meses da morte de minha mãe, que estava com alzheimer, tive um pesadelo super estranho. Como não a encontrava fui ver se achava o cadáver dela. Em uma sala enorme havia um arquivo, cheio de gavetas grandes onde estavam guardados os mortos. Quando abri uma delas vi o corpo de minha mãe, porém sem cabeça. Fiquei desesperada procurando a cabeça dela, até que finalmente a encontrei, com os cabelos negros arrumados, bem penteados. A cabeça intacta, perfeita, jovem como ela era antes da doença. E a levei até o corpo e encaixei a cabeça, como encaixamos as cabeças das bonecas. Aí suspirei aliviada. E acordei.
A doença de minha mãe mexeu muito comigo, ela era meu referencial, uma mulher alegre, linda, elegante, meiga e de repente havia se transformado, até mudado a personalidade e o humor. E eu sofri muito vendo minha mãe se apagar aos poucos.
Lembro também daquela manhã que acordei aos prantos com a certeza de que meu filho não veria mais a amada. Soluçando, tive a sensação de que alguma coisa os separaria. Liguei imediatamente pedindo a ele que nunca brigasse com ela, a namorada, porque eu tinha medo que o sonho se concretizasse e que eles se separassem.
Seis meses exatamente desta data minha futura norinha morreu num acidente horrível, aos 20 anos de idade. Foi um aviso? Foi uma premonição?
Depois sonhei com esta minha nora, uma filha do coração, que veio para me dar aquele abraço, que sempre tínhamos uma para a outra, um abraço de muito amor, muito carinho, muita empatia. Ela me apertou forte e me disse: “Estou bem”, “Eu te amo”, exatamente como costumava fazer, e acordei. Só que acordei com o peito quente, a sensação de que ela estava ali, foi perfeita, real. E tive a certeza de que ela estava bem mesmo.
Outro sonho foi novamente com minha mãe. E há pouco, doze anos depois de sua morte. Ela chegou, me abraçou e falou baixinho no meu ouvido: “Eu estou muito feliz, ele está aqui comigo”. E eu perguntei: “Quem?”. Ela então falou: “Ele, meu grande amor”. Intrigada e pensando que ela tinha algum amor secreto, insisti em perguntar: “Mas quem é este homem? Quem é ele?”. E ela sorrindo respondeu: “Bobinha, meu grande amor, seu pai, ele está aqui comigo.”
Acordei chorando de alegria e novamente com o peito quente e muito amor no meu coração. Afinal, eles estavam juntos, que maravilha. Meu pai e minha mãe, que só tiveram um ao outro, que viveram um grande amor, juntos, do outro lado da vida.
E o sonho com Fidel, meu basset que morreu há dois anos. Tão colorido, tão vivo, tão alegre, tão real e tão presente na minha vida nos 16 anos de vida dele. Cheguei em casa e vi que haviam várias doughnuts, rosquinhas doces, cheias de chantilly, pela casa toda. Fiquei apavorada gritando: “Quem colocou estas coisas para o Fidel, o fígado dele não vai agüentar tanto doce. Precisamos comprar ração”. Desci e encontrei uma mercearia, como aquela da minha infância, ao lado de minha casa, e peguei um pacote de ração, só que custava caro e eu não tinha o dinheiro. Fiquei desesperada. Pedi para o dono da mercearia para me vender só um kilo e ele aceitou. Abriu o pacote e colocou um kilo num saquinho, o qual levei correndo para colocar na vasinha do Fidel, que deu pulos de alegria. Meu pequeno Fred Astaire, meu amiguinho querido, do qual sinto tantas saudades.
E o que dizer dos sonhos góticos? Pois é, sonhei que eu estava numa festa gótica, numa discoteca, com luz escura, jovens, musica moderna. O local estava cheio de gente. Vestia um vestido de shantung azul marinho. E de repente senti que estava sangrando, como se estivesse com alguma hemorragia porque o sangue atravessou o vestido. Estava envergonhada e queria sair de lá sem ninguém perceber o que estava acontecendo. Levantei e fui me encaminhando para a saída. No canto da sala havia uma vitrine e quatro pares de sapatos cheios de sangue. Fui embora e logo acordei. Foi bem esquisito este sonho também.
Pelo menos uma vez por mês tenho estes sonhos fantásticos e cheios de surpresas. Se eu pudesse escolher meus sonhos, pediria para ver meus entes queridos novamente, aqueles todos que amo tanto e que se foram.