Passeios e conjecturas em Sampa...
Quando não estou andando pelas ruas de Roma, ao sol que arde todos os dias no verão, com o céu totalmente azul e sem nuvens, suando sim, mas alegre e descontraída, na terra de minha mãe e de minhas fadinhas, caminhando embaixo dos plátanos ao longo do Tevere, e nem tampouco andando nos undergrounds de Montreal ou ao ar livre, sob sensação térmica de menos cinqüenta graus (negativos), que frioooooo, faço meus passeios por aqui mesmo em Sampa, na Avenida Paulista, indo para cá e para lá, para dar aula, para ir aos médicos, à psicoterapeuta, na fisioterapia.
Quem disse que não é divertido? Faço caminhos diferentes e acabo me divertindo ou aprendendo muito sobre a vida. Para ir ao gastro, por exemplo, tenho que descer uma escadinha fulera, nas bocadas, atrás do Shopping Paulista, para cair na Rua Maestro Cardim. Vou a pé da Angélica até lá, tranquilamente, uns 6 km mais ou menos.
É uma escadinha muito democrática. Já passei por ela em vários horários. Na parte da manhã, vejo crianças brincando e pulando os degraus, ou brincando com suas babás ou mamães. Na hora do almoço, o ambiente é totalmente outro. Trabalhadores, operários de construções de prédios da vizinhança, estão comendo em suas marmitas e depois, abrem a camisa e deitam ali mesmo, fazendo um cochilo enquanto tomam um pouco de sol. No final da tarde a escada vira um “maconhódromo”, como se estivessem a sós, rapazes e moças, acendem e partilham seus baseadinhos, sem nem notar a presença da senhora que passa em seus passeios estapafúrdios.
Na Paulista a diversidade é maior ainda. Tem de tudo, de cover do Michael Jackson a estátuas vivas, desde demonstrações de aulas de tango, a ciganas, cheias de filhos pequenos, pedindo esmolas. E se prestarmos atenção nas conversas então, o divertimento é maior ainda, vão de brigas de namorados a assuntos de política. Bem diz minha amiga, que mora em um bairro super residencial e tranqüilo, que aqui é outro mundo.
E assim faço uma terapia “extra” por estes caminhos de ruas, ruelas, escadinhas, avenidas e pelos caminhos da minha vida.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Será que estou com depressão pós parto?
Será que estou com depressão pós-parto?
Primeira parte
Bem, há um mês resolvi comprar um cachorrinho, um yorkshire petit. Uma gracinha. Há tempo que eu vinha falando que queria outro cachorrinho, pois sentia saudades do Fidel, meu Fred Astaire, meu basset, que morreu em maio de 2009.
Tinha dúvidas se devia ou não pegar outro cachorro porque com a filha em Roma e o filho com projeto de voltar para Montreal, para terminar lá seu doutorado, eu tenho que estar sempre viajando e com um cachorro tudo fica mais difícil. Apesar de ter sido uma decisão consciente, admito que estava um pouco desgastada afinal vinha enfrentando várias coisinhas chatas nos últimos dois anos e fui impulsiva. Foi assim: num sábado estava passeando, meio chateada, ou melhor, meio triste, por uma rua pela qual nunca tinha passado e passei por um pet shop. Resolvi entrar. Vi um cachorrinho desta raça e fiquei encantada. Troquei idéia com várias pessoas dentro do Pet Shop e todos me aconselharam a pegar o bichinho, mas quando soube o preço, caro demais, desisti e continuei meu passeio. Acabei achando outro pet shop e vi outro cachorrinho da mesma raça pela metade do preço. Agora não tinha desculpas. Quando o peguei e ele fez manha, cortou meu coração e decidi levá-lo na hora.
Realmente eu estava acostumada com o Fidel, que nasceu e viveu 4 anos em Atibaia antes de vir para São Paulo. Com um quintal, um jardim, onde ele fazia as necessidades, corria, pegava passarinhos, Fidel nunca fez xixi dentro de casa. Mas o meu pequeno Chico é um mijão, não sei como cabe tanto xixi dentro dele. De hora em hora minha área está toda mijada. E aí coloco jornal, enxugo, passo pano com cândida para que ele não se acostume a fazer ali, mostro o lugar certo, tento ensinar e treinar, mas nada. Quando acabo de limpar tudo, ele vem e faz xixi de novo e depois se esconde. Então, se ele se esconde, será que é porque sabe que fez coisa errada?
Bem se este fosse todo o problema, seria fácil. Ele começou a vir com tiras compridas de farpa de madeira. Descobri que estava comendo o armário por baixo. Chamei meu “faz tudo” e ele tirou uma folha de madeira que poderia estar meio gasta e me mostrou que agora estava tudo lisinho embaixo do armário e não haveria mais problema. Que nada! Depois de um dia lá veio Chico novamente com farpas maiores ainda. Ele está literalmente comendo todo o armário por baixo, pois o vão é exatamente do tamanho dele. Então ele come o teto da casa dele...
O tal pipi dog, invenção dos humanos, agora só serve para que Chico coloque de castigo todos os brinquedos que ele tem. Não entendo, acho que Chico também precisa de uma psicanalista. Ele pega um por um, todos os brinquedos e os coloca de castigo no pipi dog.
Só sei que o preço dele, mais a caminha, mais a bolsa para levá-lo passear, mais brinquedos, mais vacinas, mais o portão que agora foi outra história para morrer de rir (não sei se choro ou se dou risada), já chegou no preço do primeiro cachorrinho que eu vi.
Pois é, o portão. Como a veterinária falou que eu o deixasse num lugar isolado, na área, para que ele aprendesse a fazer xixi no lugar certo, eu coloquei meu pôster de cantora, da época que cantava na TV Bandeirantes, que fim de carreira..., para separar a área, da cozinha. Mas fiquei com pena do bichinho ali isolado e achei que se colocasse um portão, ele poderia me ver dando as dez aulas que dou diariamente e se sentir menos separado de sua dona... eu.
Instalei o portãozinho e da sala eu o via e ele a mim. De repente, no meio da aula, quem aparece na sala dando risada da minha cara? Chico, todo satisfeito. Na dúvida, eu e meu aluno o colocamos novamente do lado da área e ficamos observando, pois achamos impossível que ele atravessasse a grade. Ele colocou a cabeça e foi se espremendo todo até que passou e veio novamente gargalhando na nossa cara. Nada feito. Vou ter que colocar tela para que ele não passe mais.
Caramba!
E o pior ainda é ter as pessoas contra mim... Quando outro dia mencionei que se eu não agüentasse, não me adaptasse, eu venderia o bichinho ou doaria para meus netos, caíram matando, dizendo que eu não tinha coração, não tinha cabeça para ter cachorro, que o pobrezinho já estava apegado a mim. Virei a bruxa da Branca de Neve. Outra vez. Já vi este filme quando internei minha mãe numa clínica.
E eu? Quem cuida de mim?
Então cheguei à conclusão que estou com depressão pós-parto. Querer o filho eu queria, mas ter que cuidar, lavar chão dez vezes por dia, dispensar todo meu tempo livre, que já é pouco, para ele, ficar dando aulas preocupada o tempo todo que o bichinho pode morrer entalado com uma farpa de madeira, gastar uma grana que poderia gastar para mim mesma e ainda ter que pensar no que vou fazer quando tiver que viajar, aí são outros quinhentos.
Alguém se habilita???
Segunda Parte
Vamos falar a verdade. Hoje em dia quantas mães cuidam de verdade de seus bebês? E a desculpa é que trabalham fora, mas eu também sempre trabalhei. No meu tempo de mãe lavei mil fraldas de cocô, fervi mamadeiras e chupetas, lavei bundinhas toda vez que os filhos faziam cocô, dei banho. Além de brincar, estimular, ensinar a ler e por que não contar, até a dirigir eu ensinei meus filhos. E com a maior paciência. Agora tudo é diferente. As mães, apesar de todas as facilidades: fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos, aparelhos para ferver a mamadeira, etc..., ainda têm as famigeradas babás, que assopram a comida do bebê e a mãe nem vê (já vi esta cena nos shoppings inúmeras vezes). Eu mesma nunca assoprei na comida dos meus filhos.
Pois é, vou comprar os lencinhos umedecidos para Chico. Toda vez que eu vier da rua, vou gastar um lencinho para cada patinha. Eu estava usando uma toalhinha branca, que ficava preta a cada passeio. Vou facilitar minha vida de mãe moderna. Se precisar vou colocar fralda descartável, como vi hoje no cachorrinho de uma amiga. Vou contratar um adestrador para ensiná-lo a dar a patinha e quem sabe este profissional também vai lhe dar de comer soprando na comidinha dele...
Mas , sem brincadeira, estou começando a me divertir com Chico. Corro pela casa e ele vem atrás de mim. Na rua ele faz o maior sucesso. Ele é lindo. Ontem fomos ao Center 3 e todos paravam e faziam festa. Tenho reparado que as pessoas fazem mais festa para os cachorros do que para bebês. Como disse o marido de uma amiga minha, estamos humanizando os cachorros. Hoje fui com Chiquinho tomar café da manhã na Padaria Vila Bahia e todas as mesas tinham cachorrinhos, quietinhos, aguardando que seus donos tomassem seus cafés. E cachorro é um ótimo puxa papo, conversei com um jovem da idade do meu filho, com uma senhora, com outro casal. Ele é divertido, corre pela casa com minhas havaianas agarradas pelos dentes e fica no meu colo enquanto escrevo minhas crônicas.
Tenho brincado bastante com ele e estou começando a me adaptar. Vamos ver se é fogo de palha ou amor de verdade...
Primeira parte
Bem, há um mês resolvi comprar um cachorrinho, um yorkshire petit. Uma gracinha. Há tempo que eu vinha falando que queria outro cachorrinho, pois sentia saudades do Fidel, meu Fred Astaire, meu basset, que morreu em maio de 2009.
Tinha dúvidas se devia ou não pegar outro cachorro porque com a filha em Roma e o filho com projeto de voltar para Montreal, para terminar lá seu doutorado, eu tenho que estar sempre viajando e com um cachorro tudo fica mais difícil. Apesar de ter sido uma decisão consciente, admito que estava um pouco desgastada afinal vinha enfrentando várias coisinhas chatas nos últimos dois anos e fui impulsiva. Foi assim: num sábado estava passeando, meio chateada, ou melhor, meio triste, por uma rua pela qual nunca tinha passado e passei por um pet shop. Resolvi entrar. Vi um cachorrinho desta raça e fiquei encantada. Troquei idéia com várias pessoas dentro do Pet Shop e todos me aconselharam a pegar o bichinho, mas quando soube o preço, caro demais, desisti e continuei meu passeio. Acabei achando outro pet shop e vi outro cachorrinho da mesma raça pela metade do preço. Agora não tinha desculpas. Quando o peguei e ele fez manha, cortou meu coração e decidi levá-lo na hora.
Realmente eu estava acostumada com o Fidel, que nasceu e viveu 4 anos em Atibaia antes de vir para São Paulo. Com um quintal, um jardim, onde ele fazia as necessidades, corria, pegava passarinhos, Fidel nunca fez xixi dentro de casa. Mas o meu pequeno Chico é um mijão, não sei como cabe tanto xixi dentro dele. De hora em hora minha área está toda mijada. E aí coloco jornal, enxugo, passo pano com cândida para que ele não se acostume a fazer ali, mostro o lugar certo, tento ensinar e treinar, mas nada. Quando acabo de limpar tudo, ele vem e faz xixi de novo e depois se esconde. Então, se ele se esconde, será que é porque sabe que fez coisa errada?
Bem se este fosse todo o problema, seria fácil. Ele começou a vir com tiras compridas de farpa de madeira. Descobri que estava comendo o armário por baixo. Chamei meu “faz tudo” e ele tirou uma folha de madeira que poderia estar meio gasta e me mostrou que agora estava tudo lisinho embaixo do armário e não haveria mais problema. Que nada! Depois de um dia lá veio Chico novamente com farpas maiores ainda. Ele está literalmente comendo todo o armário por baixo, pois o vão é exatamente do tamanho dele. Então ele come o teto da casa dele...
O tal pipi dog, invenção dos humanos, agora só serve para que Chico coloque de castigo todos os brinquedos que ele tem. Não entendo, acho que Chico também precisa de uma psicanalista. Ele pega um por um, todos os brinquedos e os coloca de castigo no pipi dog.
Só sei que o preço dele, mais a caminha, mais a bolsa para levá-lo passear, mais brinquedos, mais vacinas, mais o portão que agora foi outra história para morrer de rir (não sei se choro ou se dou risada), já chegou no preço do primeiro cachorrinho que eu vi.
Pois é, o portão. Como a veterinária falou que eu o deixasse num lugar isolado, na área, para que ele aprendesse a fazer xixi no lugar certo, eu coloquei meu pôster de cantora, da época que cantava na TV Bandeirantes, que fim de carreira..., para separar a área, da cozinha. Mas fiquei com pena do bichinho ali isolado e achei que se colocasse um portão, ele poderia me ver dando as dez aulas que dou diariamente e se sentir menos separado de sua dona... eu.
Instalei o portãozinho e da sala eu o via e ele a mim. De repente, no meio da aula, quem aparece na sala dando risada da minha cara? Chico, todo satisfeito. Na dúvida, eu e meu aluno o colocamos novamente do lado da área e ficamos observando, pois achamos impossível que ele atravessasse a grade. Ele colocou a cabeça e foi se espremendo todo até que passou e veio novamente gargalhando na nossa cara. Nada feito. Vou ter que colocar tela para que ele não passe mais.
Caramba!
E o pior ainda é ter as pessoas contra mim... Quando outro dia mencionei que se eu não agüentasse, não me adaptasse, eu venderia o bichinho ou doaria para meus netos, caíram matando, dizendo que eu não tinha coração, não tinha cabeça para ter cachorro, que o pobrezinho já estava apegado a mim. Virei a bruxa da Branca de Neve. Outra vez. Já vi este filme quando internei minha mãe numa clínica.
E eu? Quem cuida de mim?
Então cheguei à conclusão que estou com depressão pós-parto. Querer o filho eu queria, mas ter que cuidar, lavar chão dez vezes por dia, dispensar todo meu tempo livre, que já é pouco, para ele, ficar dando aulas preocupada o tempo todo que o bichinho pode morrer entalado com uma farpa de madeira, gastar uma grana que poderia gastar para mim mesma e ainda ter que pensar no que vou fazer quando tiver que viajar, aí são outros quinhentos.
Alguém se habilita???
Segunda Parte
Vamos falar a verdade. Hoje em dia quantas mães cuidam de verdade de seus bebês? E a desculpa é que trabalham fora, mas eu também sempre trabalhei. No meu tempo de mãe lavei mil fraldas de cocô, fervi mamadeiras e chupetas, lavei bundinhas toda vez que os filhos faziam cocô, dei banho. Além de brincar, estimular, ensinar a ler e por que não contar, até a dirigir eu ensinei meus filhos. E com a maior paciência. Agora tudo é diferente. As mães, apesar de todas as facilidades: fraldas descartáveis, lencinhos umedecidos, aparelhos para ferver a mamadeira, etc..., ainda têm as famigeradas babás, que assopram a comida do bebê e a mãe nem vê (já vi esta cena nos shoppings inúmeras vezes). Eu mesma nunca assoprei na comida dos meus filhos.
Pois é, vou comprar os lencinhos umedecidos para Chico. Toda vez que eu vier da rua, vou gastar um lencinho para cada patinha. Eu estava usando uma toalhinha branca, que ficava preta a cada passeio. Vou facilitar minha vida de mãe moderna. Se precisar vou colocar fralda descartável, como vi hoje no cachorrinho de uma amiga. Vou contratar um adestrador para ensiná-lo a dar a patinha e quem sabe este profissional também vai lhe dar de comer soprando na comidinha dele...
Mas , sem brincadeira, estou começando a me divertir com Chico. Corro pela casa e ele vem atrás de mim. Na rua ele faz o maior sucesso. Ele é lindo. Ontem fomos ao Center 3 e todos paravam e faziam festa. Tenho reparado que as pessoas fazem mais festa para os cachorros do que para bebês. Como disse o marido de uma amiga minha, estamos humanizando os cachorros. Hoje fui com Chiquinho tomar café da manhã na Padaria Vila Bahia e todas as mesas tinham cachorrinhos, quietinhos, aguardando que seus donos tomassem seus cafés. E cachorro é um ótimo puxa papo, conversei com um jovem da idade do meu filho, com uma senhora, com outro casal. Ele é divertido, corre pela casa com minhas havaianas agarradas pelos dentes e fica no meu colo enquanto escrevo minhas crônicas.
Tenho brincado bastante com ele e estou começando a me adaptar. Vamos ver se é fogo de palha ou amor de verdade...
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