Depois de um stress daqueles por causa de uma amiga que nos deu o cano, Yara e eu decidimos ir com o carro dela para Holambra. Era para ter saído às 07 da manhã. Acabamos saindo às 10:40, mas foi um dia muito especial e divertido. Yara trouxe o GPS, aconselhada pela filha, que já sabe que a mãe é atrapalhada, e previu que juntando com outra, seriam duas coroas atrapalhadas, o que seria bem pior. A mocinha do GPS acertou tudo direitinho e chegamos a Holambra sãs e salvas.
O dia estava lindo, ensolarado, os pássaros cantando, o silêncio da cidadezinha de 12.000 habitantes. Queríamos fazer um tour e logo que estacionamos perguntamos a um grupo de pessoas que chegavam a um restaurante, como poderíamos fazer, os quais imediatamente nos indicaram alguém e ainda se despediram da gente com beijinhos no rosto. Todo mundo muito amigável.
Ainda descobrimos que uma casa de 300 m, custa apenas R$250.000,00. Bom lugar para passar a velhice. Os holandeses são espertos. Fizeram um condomínio onde cada idoso ou casal de idosos, tem sua casa, mas o condomínio inclui cuidados médicos necessários. Tocam um sinal na casa matriz e um médico está ali, à disposição, para atender os que precisam.
Almoçamos super bem, com direito a uma torta de limão inesquecível e saímos para o tour. Vimos uma fazenda de gérberas, lindas, de todas as cores. Vimos o moinho e o lago que foi criado de um córrego, pelos holandeses, os quais depois dividiram o lago, parte para os holandeses e parte para os brasileiros que moram ali. Durante o passeio brincamos muito com dois casais de jovens que estavam na nosso tour. Eles riram muito com nossas bobagens. Queríamos saber se haviam holandeses disponíveis para duas coroas. Fizemos todas as perguntas para a guia, nada com relação ao passeio, tudo sobre os homens de Holambra. Duas coroas taradas fazendo planos para comprar uma casa para três idosas, sim, três porque uma, que é amiga da Yara, está esperando o marido morrer para se juntar a nós.
Depois mais um café e outro doce, por que não?
Uma espiada na loja de lembranças e decidimos voltar para Sampa. Só que desta vez, sem GPS. Resultado é que nos perdemos. Fomos parar num shopping em Campinas. Lá fomos cercadas por três taxistas. Um perebento, feio que doía, outro um tipo meio índio e um mulatinho da hora, como disse minha amiga, ajeitadinho, dava para encarar. E ele bem que encarou a gente, ficava ora olhando para mim, ora para Yara, com olhar de safado. Pois é, depois de uma explicação do perebento, impossível de ser seguida, com sotaque nordestino e com tanto: “ Entra à direita, depois à esquerda, depois desce a rua, passa por baixo da ponte”, o tipo índio, graças a Deus, sabia mexer no GPS e colocou nossa salvadora, aquela voz linda, para nos trazer de volta para São Paulo. Aproveitei para perguntar se não teria uma voz gostosa de homem, que falasse suavemente nos nossos ouvidos, mas que fosse mais firme, para que não ficássemos na dúvida, porque a tal moça tinha um defeito, de vez em quando ela dizia: “Vire ligeiramente à direita” e aí Yara perdia o rebolado e não sabia se o tal “ligeiramente” era para virar ou não, mas já estava tudo conectado e decidimos sair com a moça mesmo.
No caminho ainda rimos muito porque tanto Yara quanto eu, adoramos o mulatinho dos seus 45 anos, pois ele estava no ponto, pena que não era para nosso bico.
E a volta foi ótima, a moça do GPS nos trouxe direitinho até a porta de casa e ainda disse: “Vocês chegaram ao seu destino”.
Ah!,
e esqueci de dizer, para finalizar o dia com chave de ouro, as duas idosas
decidiram tomar uma Malszbier e para isto escolheram um boteco fuleiro na rua
Augusta. Até o garçon tirou um sarro.
Foi
divertido, afinal o que conta não é o local, mas o espírito.