sábado, 15 de setembro de 2012

Pelo amor de Deus, não me apresentem mais ninguém.



Pelo amor de Deus, não me apresentem mais ninguém.

Amigas adoram apresentar candidatos para uma mulher sozinha.
Uma delas disse que conhecia um engenheiro, separado da mulher, alegre, bem humorado e que seria uma ótima companhia para mim.
Um dia ela nos apresentou em sua casa. Foi uma noite agradável.
Combinamos então, ele e eu, de pegar um cinema qualquer noite da outra semana.
Fomos ao único cinema da cidade, que cá entre nós, era uma porcaria, o som não batia com a imagem, o filme parava no melhor momento e aí eles devolviam o ingresso, para que você pudesse assistir no dia seguinte, uma zorra.
        Fomos assistir: O Zorro. Depois batemos papo e rimos até não poder mais, realmente ele era engraçado.
Combinamos que na outra semana nos veríamos.
Bem, eu trabalhava em casa, na minha escola, das sete da manhã até às nove da noite normalmente, então programas assim só nos finais de semana e quando eu não tivesse outros compromissos da Escola. Ficamos de nos telefonar.
Num dia de semana às nove e meia da noite, tocou a campainha. Eu não estava esperando ninguém e me preparava para tomar banho e dormir.
Lá estava ele, fazendo uma surpresa.
Detesto visitas surpresas. Tenho meus horários, sou muito metódica.  Mas o atendi dizendo que eu já estava me preparando para dormir porque acordava muito cedo e que a gente poderia combinar para o final de semana alguma coisa.
Ele insistiu. Queria bater um papo, ouvir uma música.
Ok, já que dizem que eu não tento. Decidi que ia tomar um banho para dar uma relaxada do dia cheio, enquanto ele ouvisse um pouco de musica e depois bateríamos um papo rápido porque eu tinha compromisso no dia seguinte.
Quando sai do banho, me troquei e fui até a sala. Cadê o cara? Olho ao meu redor e o que vejo na cadeira que estava na frente da minha escrivaninha? A roupa dele: seu jeans, sua camiseta, suas meias e sua cueca, horrível, cheia de bolinhas devido ao tecido gasto, e os sapatos? Arrumadinhos, embaixo da cadeira.
E ele?
Ouvi um barulho na piscina, que vinha de lá de fora, no meu jardim. Saí. Lá estava ele, o sapo, nadando pelado na minha piscina. Que maravilha! Não pude acreditar no que estava vendo. Comecei a gritar com ele, louca da vida, dizendo que aquilo não era atitude de homem, que eu ia trancar a porta e deixá-lo ir embora pelado pela cidade, para que ele tomasse vergonha na cara.
        Ele disse: “Nossa, benzinho, como você é radical”, tentando esconder as partes íntimas com as mãos, tão pudico, coitadinho. Peguei uma toalha de banho, joguei para ele e lhe disse:
        “Você tem cinco minutos pra pegar sua roupa, se vestir e sumir daqui”.
        Nunca mais vi o sapo.
       Aliás, nenhum sapo se transforma em Príncipe, mas os príncipes se transformam em sapos.

          Outro candidato foi um professor muito conceituado e que, segundo uma amiga, sendo professor, combinaria comigo.
        Minha amiga, diretora de uma Escola, disse que conhecia o homem certo, que eu estava sempre sozinha, que precisava muito de um companheiro. Fez a propaganda dele, digamos propaganda enganosa por sinal.
        “Ele gosta de dançar, gosta de sair, é animado, você vai gostar muito dele.”
        Bem, ela deu meu telefone para ele com meu consentimento e ele me ligou. Era Carnaval e combinamos um encontro num sábado.
        Como já sou gato escaldado, achei melhor levar na brincadeira e fui ao encontro do cara com uma máscara de Marilyn Monroe. Não nos conhecíamos pessoalmente.
        Ele ficou meio surpreso quando me viu de máscara e é lógico que logo a tirei e me apresentei. Homens preferem as previsíveis...
        Chegamos a sair duas vezes para conversarmos, mas na terceira desisti dele. Ele começou a falar mal da minha amiga, que era alguns anos mais velha do que seu marido, e que estava passando por uma fase difícil, pois estava se separando.
        O pretendente me questionou, em defesa do marido da minha amiga, que estava se separando para ficar com outra, perguntando: “Qual o homem quer ver uma mulher gorda de quatro e ainda com boca fedendo a cigarro?”
        Fique impressionada com a grossura e falta de respeito dele, para comigo e para com minha amiga e pensei; “Se ele vê uma mulher desta forma, sob este prisma, eu não quero este cara de jeito nenhum”.
        Ainda disse que nós todos devíamos fazer muito exercício, que ele malhava a beça, todos os dias.
        Pois é, ainda veio na semana seguinte me visitar, de surpresa. Outra surpresa? E estava de muletas. Tinha quebrado a perna, levado um tombo daqueles, malhando.
        Aqui se faz aqui se paga!