domingo, 14 de novembro de 2010
Fim de semana pacífico
Ontem acordei tarde, fiz tudo com calma, comi minha maça de café da manhã, como todos os dias, por isso nunca fico gripada. Depois fui andar devagarinho pela rua (mulher da rua, como diz o Fernando para brincar comigo).
Depois do almoço fui à Livraria Cultura curtir os novos títulos de livros, ver as novidades. E mais tarde fui ao cinema com Elita.
Assisti “Minhas mães e meu pai”, uma família nada convencional. É sobre um casal de lésbicas, que fazem fecundação artificial, com o mesmo doador. Uma tem uma filha e a outra tem um filho e estão juntas há 20 anos. Os filhos resolvem procurar o tal doador. Achei o tema interessante, mas mal explorado e muito machista. Uma das mulheres é castradora, dominadora, possessiva e a outra submissa e dependente. Não gostei da abordagem, eu teria encaminhado o final de outra forma, mas vale assistir.
Voltando para casa, dei uma olhada na minha caixa de Recordações, com tudo de bom de vocês, Claudia e Fernando, meus grandes amores.
Foi POSITIVO, muito positivo.
Hoje, ao invés de cinema, depois do almoço, fui tomar um café no Café do Ponto e vi que uma senhora (80 anos depois ela me contou) estava louca para puxar papo, então dei trela. Ela contou tudo da família dela, me deu endereço e telefone. Disse que eu devia ser de Libra porque eu era muito boazinha. Ah meu Deus!
Depois ainda me fez o sinal da cruz na testa para me abençoar dizendo que ela tinha adorado conversar comigo porque mora sozinha e às vezes tem um pouco de depressão. Problema dos solitários. Por outro lado, temos a liberdade de ir e vir e fazer o que quisermos de nossas vidas.
Cleinha tinha me convidado para ir a casa dela, mas acabei ficando por aqui mesmo. Quietinha no meu canto.
Sou uma pessoa feliz. Tenho dois filhos inteligentes e saudáveis. Sou inteligente e alegre. E gosto da minha companhia, aliás, minha melhor companheira sou eu mesma e com certeza JESUS, que adoro e confio.
Estou muito bem, ainda mais quando sei que vocês estão bem e hoje vocês dois estão ótimos. Fernando com Paulinha, sua companheirona da vida e dos esportes e você com Dori, que com todas as chatices, tem dividido com você as responsabilidades dos bebês, certo? Dividido é modo de dizer, mais ou menos dividido, mas melhor do que nada, pelo menos você não fica sozinha. Ele é um grude, “sticy but not sweety” (a musica da Madona é "sticky and sweety") e vocês formam uma linda família, que era tudo que você mais desejava desde pequena, uma família com pai, mãe e filhos, gêmeos ainda, um milagre duplo, até o cachorro veio de brinde, que mais você pode querer???
Quanto a mim, que mais posso desejar? Foi um fim de semana de paz e tranqüilidade, graças a Deus, e ainda me recarregou de energia.
domingo, 19 de setembro de 2010
Eu e meus sonhos esquisitos 2
Bem, como eu disse na primeira parte dos Meus Sonhos Esquisitos, sonho muito com meus entes queridos, que já partiram para o Nosso Lar, então outro noite eu sonhei que estava na casa antiga de minha tia Gilda, que tinha uma escadaria de mármore. No sonho a escadaria era maior do que na realidade, meus “exageros” continuam nos sonhos. Minha avó estava no pé da escada e disse que não ia agüentar subir tudo sozinha. Então eu a peguei no colo e subi, como se ela fosse uma pluma, com o coração quente de tê-la tão perto de mim. E acordei com a sensação gostosa de tê-la tido em meus braços, mesmo que por alguns instantes.
Numa outra noite sonhei que fui visitar minha amiga Monica, que sofreu um acidente de carro e está numa cadeira de rodas. No sonho ela me recebeu com um vestido branco rendado, muito feminina, como ela é mesmo, e ela estava descalça. E veio na ponta dos pés, caminhando na minha direção. E eu fiquei tão feliz por vê-la tão linda e andando novamente, ela me parecia uma fada do bem. E perguntei por que ela estava andando na ponta dos pés e ela respondeu que já podia andar bem, mas que sentia um pouco de dor nos dedões dos pés.
Depois foi o sonho do bichinho de estimação. Sonhei que tinha um bichinho, do tamanho do Fidel (meu cãozinho que morreu há dois anos), uma gracinha. E eu o pegava no colo, como se fosse um bebê. Depois o colocava no chão e ele virava de barriguinha para cima, como um cachorrinho, abanando a calda para ganhar carinho no peito. Só que não era um cãozinho. Era um jacarezinho. Um lindo jacarezinho verde de estimação.
E ontem foi o sonho delicioso com minha mamma. Ela estava passeando comigo em Higienópolis. E ela estava linda, com os cabelos pretos penteados e impecavelmente vestida, como sempre, chique. Aquela amiga meiga de tantos domingos que passamos juntas, até ela adoecer. Aí eu disse:
“Mamãe, quem disse que milagres não existem! Você estava tão mal naquela clínica, que eu tinha perdido as esperanças de vê-la como você é novamente. Mas agora você está aqui, linda e perfeita como antes.”
Ela me sorriu e fizemos nossos planos dos próximos finais de semana, para procurar um apartamento para ela pertinho de mim.
E fui acordando com uma voz carinhosa chamando: “Mamãe! Mamãe!” E na confusão do sonho e da realidade eu não sabia se eu era minha mãe e a voz era a minha chamando por ela ou se era eu mesma e a voz era da minha filha.
domingo, 29 de agosto de 2010
Desapego X Amor X Ego
É preciso aprender a amar sem se apegar e ao mesmo tempo esquecer-se de si mesmo.
A vida é uma grande escola. Cada um aqui recebe as lições necessárias para seu crescimento espiritual.
Sempre soube qual era minha provação nesta vida. Dizer adeus tantas e tantas vezes à minha filha, tê-la sempre tão distante e tão próxima do coração: A boneca.
Tantas vezes deixar meu filho partir, quando gostaria de segurá-lo por perto por mais meia hora que fosse e acariciar suas costas, seus cabelos, e lhe fazer um cafuné.
Meu pai que partiu quando eu mais precisava dele, recém divorciada, jovem, com uma filha de dois anos para criar e pronta para enfrentar leões para protegê-la. Sozinha.
Os amores que não permaneceram, que partiram. A solidão. Desapego.
Agora os netos. Tão gostoso e confortante segurá-los nos braços, sentir sua pele macia, falar baixinho nos seus ouvidos: “Vovó te ama tanto!” e ter que partir. E mais uma vez, me desapegar.
Vê-los duas vezes por ano, quem sabe.
Sim, me entregar de corpo e alma e depois arrancar meu coração para deixá-lo com Francesco e Antonio.
Amar é tirar férias para trabalhar de cozinheira, babá, empregada e ainda pagar para isto, e ainda usar as míseras economias, para poder vir dar uma força a quem amamos.
Amar é ser humilde e perguntar ao companheiro da filha que horas ele quer que você chegue no dia seguinte. Perdoar quem já lhe feriu.
Amar é se dar, sem esperar nenhuma recompensa, a gratidão de um beijo carinhoso por exemplo, e se este vier, alegrar-se infinitamente porque foi inesperado.
Amar é ouvir o choro do bebê e tentar adivinhar o que aliviaria sua dor.
Amar é não medir esforços mesmo sabendo que estas duas luzinhas poderão te estranhar quando te virem na próxima vez, que sabe-se lá quando será.
Então acho que cumpri mais uma vez minha missão, de harmonia, de perdão, de humildade, de dedicação, de entrega, de amor incondicional, de presença quando meus filhos mais precisam de mim, meu apoio emocional.
Parto feliz pela paz que tentei dar a meus netinhos neste mês de agosto de 2010, e triste pelas saudades que já sinto antes de partir.
Que Deus abençoe esta família e encha o coração destes pais de amor, pelo milagre da vida de seus filhos.
sábado, 24 de julho de 2010
O anel
O anel de família
Há 64 anos um homem apaixonado, que escrevia lindas declarações de amor nas partituras que dava de presente à sua amada, casava-se com ela, a única mulher de sua vida, sendo ele também o único homem da vida dela.
Havia sido um encontro casual, num bonde da Paulista, em 1943. Ambos italianos, vindos de diferentes partes da Itália. Ela uma jovem tímida e romântica e ele um jovem inteligente, esforçado e um pouco rebelde.
Foi amor à primeira vista e logo começaram a namorar. Ele freqüentando a casa dela, onde vivia com a mãe, cinco irmãs e um irmão. Almoços aos domingos, fartos, deliciosos, após os quais ele se deleitava com os saraus. Ela, sua musa inspiradora, tocando piano, enquanto as irmãs cantavam em coro. E aqueles domingos continuaram por muitos anos. Doces domingos de uma família fora de série.
Foi ali que ele encontrou a família dele. Foi ali que ele teve seu oásis, todo seu paraíso, toda sua alegria. Foi nos braços dela que ele foi feliz e de peito aberto dizia que ela era a melhor e a mais bonita mulher do mundo.
E o casamento veio a seguir. Dois jovens apaixonados.
Ela engravidou. Ele começou a chegar mais tarde do que o de costume, lá pelas oito da noite. Ela se preocupou. Ficou enciumada pensando mil coisas, achando que ele a estava traindo. Mas a razão era o anel.
No dia do nascimento de sua filha ele lhe entregou o anel, simples como ele, mas dado com todo carinho e todo seu sacrifício. Ele estivera no ourives todas as noites enquanto o amigo o criava.
Ela ficou encantada e não o tirou mais do dedo, até que a filha, vinte anos depois, por sua vez, deu à luz a outra menina, então a boneca.
E hoje, esta boneca está no hospital esperando que cheguem seus dois meninos, dois piccolinos, Antonio e Francesco.
Neste momento, meu Deus, como eu queria estar ao lado dela e colocar em seu dedo o anel que pertenceu à avó, Inessa, à mãe, Mara e que de agora em diante estará no seu dedo, até que venha outra menina, uma neta para a boneca, talvez, vejamos, afinal a vida é uma caixinha de surpresas.
Que Deus os abençoe agora e em todos os momentos de suas vidas.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
eu e meus sonhos esquisitos e misteriosos
Eu e meus sonhos esquisitos e misteriosos
Sempre sonhei muito, de todos os tipos de sonhos, coloridos, alegres, assustadores, mas principalmente esquisitos ou misteriosos.
Sonhos premonitórios, sonhos com os mortos, sonhos engraçados.
Depois de alguns meses da morte de minha mãe, que estava com alzheimer, tive um pesadelo super estranho. Como não a encontrava fui ver se achava o cadáver dela. Em uma sala enorme havia um arquivo, cheio de gavetas grandes onde estavam guardados os mortos. Quando abri uma delas vi o corpo de minha mãe, porém sem cabeça. Fiquei desesperada procurando a cabeça dela, até que finalmente a encontrei, com os cabelos negros arrumados, bem penteados. A cabeça intacta, perfeita, jovem como ela era antes da doença. E a levei até o corpo e encaixei a cabeça, como encaixamos as cabeças das bonecas. Aí suspirei aliviada. E acordei.
A doença de minha mãe mexeu muito comigo, ela era meu referencial, uma mulher alegre, linda, elegante, meiga e de repente havia se transformado, até mudado a personalidade e o humor. E eu sofri muito vendo minha mãe se apagar aos poucos.
Lembro também daquela manhã que acordei aos prantos com a certeza de que meu filho não veria mais a amada. Soluçando, tive a sensação de que alguma coisa os separaria. Liguei imediatamente pedindo a ele que nunca brigasse com ela, a namorada, porque eu tinha medo que o sonho se concretizasse e que eles se separassem.
Seis meses exatamente desta data minha futura norinha morreu num acidente horrível, aos 20 anos de idade. Foi um aviso? Foi uma premonição?
Depois sonhei com esta minha nora, uma filha do coração, que veio para me dar aquele abraço, que sempre tínhamos uma para a outra, um abraço de muito amor, muito carinho, muita empatia. Ela me apertou forte e me disse: “Estou bem”, “Eu te amo”, exatamente como costumava fazer, e acordei. Só que acordei com o peito quente, a sensação de que ela estava ali, foi perfeita, real. E tive a certeza de que ela estava bem mesmo.
Outro sonho foi novamente com minha mãe. E há pouco, doze anos depois de sua morte. Ela chegou, me abraçou e falou baixinho no meu ouvido: “Eu estou muito feliz, ele está aqui comigo”. E eu perguntei: “Quem?”. Ela então falou: “Ele, meu grande amor”. Intrigada e pensando que ela tinha algum amor secreto, insisti em perguntar: “Mas quem é este homem? Quem é ele?”. E ela sorrindo respondeu: “Bobinha, meu grande amor, seu pai, ele está aqui comigo.”
Acordei chorando de alegria e novamente com o peito quente e muito amor no meu coração. Afinal, eles estavam juntos, que maravilha. Meu pai e minha mãe, que só tiveram um ao outro, que viveram um grande amor, juntos, do outro lado da vida.
E o sonho com Fidel, meu basset que morreu há dois anos. Tão colorido, tão vivo, tão alegre, tão real e tão presente na minha vida nos 16 anos de vida dele. Cheguei em casa e vi que haviam várias doughnuts, rosquinhas doces, cheias de chantilly, pela casa toda. Fiquei apavorada gritando: “Quem colocou estas coisas para o Fidel, o fígado dele não vai agüentar tanto doce. Precisamos comprar ração”. Desci e encontrei uma mercearia, como aquela da minha infância, ao lado de minha casa, e peguei um pacote de ração, só que custava caro e eu não tinha o dinheiro. Fiquei desesperada. Pedi para o dono da mercearia para me vender só um kilo e ele aceitou. Abriu o pacote e colocou um kilo num saquinho, o qual levei correndo para colocar na vasinha do Fidel, que deu pulos de alegria. Meu pequeno Fred Astaire, meu amiguinho querido, do qual sinto tantas saudades.
E o que dizer dos sonhos góticos? Pois é, sonhei que eu estava numa festa gótica, numa discoteca, com luz escura, jovens, musica moderna. O local estava cheio de gente. Vestia um vestido de shantung azul marinho. E de repente senti que estava sangrando, como se estivesse com alguma hemorragia porque o sangue atravessou o vestido. Estava envergonhada e queria sair de lá sem ninguém perceber o que estava acontecendo. Levantei e fui me encaminhando para a saída. No canto da sala havia uma vitrine e quatro pares de sapatos cheios de sangue. Fui embora e logo acordei. Foi bem esquisito este sonho também.
Pelo menos uma vez por mês tenho estes sonhos fantásticos e cheios de surpresas. Se eu pudesse escolher meus sonhos, pediria para ver meus entes queridos novamente, aqueles todos que amo tanto e que se foram.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Contrastes da Paulista
Seis horas da manhã.
Ando pelas calçadas da Paulista, lotada de gente indo para o trabalho, com seus ternos e terninhos, para confirmar minha teoria de que paulistanos são muito trabalhadores e começam seu dia de luta, às 7 da manhã, isto sem contar o pessoal que trabalha nos laboratórios da redondeza, os quais começam às 6:00, muito menos os operários que começam às 5:00.
Os ônibus passam cheios de gente e me lembro de pegá-los, há dez anos, no Largo da Batata, pendurada na porta, para não perder o horário do primeiro aluno, que era às 7:00 na Paulista.
Mendigos por todos os lados. Cegos ajoelhados pedem esmola. Hippies, ainda nos anos 2010? Pois é, estão em frente ao Banco Real dando banho de água gelada nos filhos, em pleno inverno, no meio da calçada, enquanto estes gritam e esperneiam de frio.
Brigas constantes do mesmo casal, que logo depois fazem as pazes. Estão drogados.
Outra bêbada atravessa a Paulista, em pleno trânsito, e os carros param, por incrível que pareça. Penso ironicamente: Se fosse uma velhinha bondosa, não escaparia.
Por que? Porque aqui é o inferno e o paraíso ao mesmo tempo.
Esta nossa Paulista, da qual tanto me orgulho e da qual tenho saudades dos passeios de mãos dadas com meus pais, nos idos anos 50, agora, às seis da manhã, é um angustiante dormitório. Enfileirados no chão, todos os dias, vejo famílias de miseráveis, dormindo em caixas de papelão e cobertos com sacos de estopa.
Papéis, montanhas de papéis, folhetos, copos descartáveis, garrafas quebradas, pratos com restos de comida chinesa feita ali, sim, ali mesmo na Paulista, sujeira, cocô de cachorros, lixo, vergonha.
Wall Street brasileira está mais para lupanar peripatético, que para orgulho do paulistano.
Camelôs tentam vender o seu peixe. Entregadores de folhetos nos enfiam goela abaixo milhares de propaganda.
Personagens de todos os tipos fazem parte do meu trajeto diário. Por me sentir tão próxima, já lhes coloquei alguns apelidos, sem maldade e com muita tristeza, pois esta é a realidade do nosso Brasil.
O cagão abaixa as calças e caga na rua, em plena Avenida Paulista. Já dei de cara com a bunda dele na minha frente, logo cedo, inúmeras vezes. Meu café da manhã. O local da privada varia, dependendo das necessidades dele.
A nega maluca, assim denominada devido aos inúmeros palavrões que ela vomita o dia todo aos passantes, vive sozinha numa esquina, pertinho do Masp, dentro de alguns caixotes de papelão.
A família mora do lado da porta do Banco Itaú, pertinho da Augusta. Pai, mãe e filhos, os quatro, dormem num colchão, ali instalado, no qual continuam durante o dia, dando uma de John Lennon e Yoko Ono, preparados para dar entrevistas se houver um jornalista interessado.
O vaidoso chega a dar aflição. Ele tem um pente, um espelho e uma pinça, com a qual fica arrancando os cílios. Sim, os cílios, e fica com os olhos vermelhos e infeccionados.
A brasileira é especial. Gorda, peituda, forte, desfila com uma camiseta do Brasil. Será esta realmente a nossa cara? Uma fita amarela e verde em volta da cabeça. Só falta cantar o Hino Nacional.
O fedido tem uma ferida na perna, na qual ele amarra uma camiseta suja. Ele anda arrastando um cobertor imundo, que exala um cheiro terrível a dois quarteirões de distância, o estômago chega a revirar, é algo insuportável.
Homens e mulheres respectivamente em seus ternos e terninhos, andam elegantemente através deste nosso cartão postal de São Paulo, com celulares grudados constantemente em suas orelhas.
Todos passam sem notar os bêbados, crianças, homens e mulheres jogados no chão, com suas feridas expostas, abertas, para nos comover e ganhar alguns trocados.
Ninguém se olha. E me pergunto: Onde é o inferno? Aqui, na Av. Paulista.
Executivos estressados, passando seus dias dentro de um escritório, muitas vezes comendo na frente do computador enquanto clicam e teclam, teclam e clicam ininterruptamente.
O infeliz que dorme ao relento, o bebê dos malditos hippies. Paz e amor, onde? Quanta incoerência!
Todos estão acorrentados em suas prisões particulares, em suas mentes, em sua falta de sonhos.
Muitos funcionários se matam de trabalhar, de olhos vermelhos de tanto ficar na frente do computador, poucas horas de sono, morrendo de medo de perderem o emprego. Muitos salários são suficientes somente para seu vestuário e alimentação.
Lazer? Cultura? Tempo para os amigos?
A resposta é unânime quando pergunto o que eles fazem no tempo livre. Chegam em casa, tomam banho, jantam e ligam a televisão, na novela, a novela da vida. Nos finais de semana, dormem.
Ninguém lê? Ninguém conversa? Ninguém pratica esportes?
No ônibus ou no metrô vejo rostos tristes, olhos sem brilho. A maioria sai de casa às cinco da manhã e volta meia noite. Os vendedores de balas as colocam nos colos dos passageiros e fazem um discurso mecânico, decorado. Outros blasfemam se não damos nada. Outros se aproximam pedindo ajuda, alegando que estão com aids e precisam comer.
Mas sou otimista, acho que seria possível reverter esta situação. Penso em soluções. Sou prática. Após a criação do CEU, poderia ser criado o HELL. Hospedaria Especial para Loucos e Larápios. Um galpão enorme com chuveiros pra lavar toda sujeira do nosso país, que tem se tornado cada vez mais triste e centenas de caminhas de vento onde eles, estes que representam a maioria do povo brasileiro, possam dormir. Recolhidos, estes infelizes e depois de banho tomado e barriga cheia, eles poderiam começar a aprender, com voluntários, principalmente com aquelas pessoas, que não precisam trabalhar, e que se sentiriam muito mais úteis fazendo algo pela nossa Sociedade, a fazer algum artesanato, cuja renda serviria para manter o galpão. Criatividade todos eles tem.
Quem sabe um dia, poderemos ter uma Paulista à altura da riqueza do nosso país, compatível pelo menos com os milhões ganhos nos negócios realizados aqui.
É esta Paulista, o paraíso, que possibilita tantos empregos a tantas e tantas pessoas, que oferece programas culturais gratuitos, concertos, exposições, cursos, no Itaú Cultural, no Sesi, na Casa das Rosas, espetáculos maravilhosos e tudo free. Lojas lindas, galerias, Parque Trianon, Masp, mil opções de cinemas e restaurantes, é meu paraíso particular, onde posso ir a um cinema na sessão da meia noite e ainda voltar tranqüila, a pé, para casa, pois é meu lar doce lar. E ainda, cinema, restaurante e farmácia 24 horas.
Não, não sonho com aquela Paulista de minha infância, ladeada de árvores, não sonho com os passeios de bonde ao lado de meus pais, nem sonho com a Paulista de minha adolescência, quando era possível passear em calçadas limpas e ao lado de pessoas mais felizes. Infelizmente o progresso tem um preço. Mas poderíamos pelo menos ter uma Paulista decente e da qual não nos envergonhássemos, principalmente diante de tantos visitantes estrangeiros.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
As crises de idade
Não me lembro de ter passado por nenhuma crise de idade até agora e olhem que tenho uma memória de elefante, segundo minha família e meus amigos.
Todos falam da crise da adolescência, quando os jovens ficam mais rebeldes, contestadores, irritados e irritantes. Não passei por isto. Sentia-me confiante e muito responsável. Em nenhum momento, perturbada. Atravessei aqueles anos sem me dar conta dos questionamentos da época.
Depois vem a crise do adulto jovem, que tem filhos pequenos e se sente cobrado, tendo que abdicar de muitas coisas, tendo que dedicar toda sua atenção para os filhos pequenos, 24 horas por dia, estando junto deles ou não. No meu caso, trabalhando fora, apesar de ter uma filha de dois anos e depois mais tarde com um filho de meses, tive que fazer malabarismos para poder conciliar casa, profissão e as obrigações e responsabilidades de mãe e de pai, ao mesmo tempo. Sinceramente, foi uma delícia e não senti nenhuma crise. A casa vivia cheia de crianças nos finais de semana e eu, chegada a “Cosme e Damião”, me divertia para valer.
Todos falam na crise dos 40, que chega implacável e arrasa, principalmente as mulheres. Nada! Não senti absolutamente nada. Aos 40 me sentia segura, linda, gostosa, chique, cheia de alegria, cheia de projetos novos e com uma energia descomunal. Aos 40 eu tinha uma filha de 18 anos de idade, um filho de 9 e muitos sonhos. Na verdade eu me sentia uma criança. Só não fiz chover. Abri uma escola, onde cuidava de 53 crianças, fiz uma Praça, dancei em Escola de Samba, escrevi um livro. Cantava todos os finais de semana em bares, restaurantes e hotéis em Atibaia. Namorei, beijei e me apaixonei. Cadê a crise? E ainda para completar esta fase, me conheci melhor, fiquei bem sozinha comigo mesma, cresci, amadureci um pouco mais.
Aos 50, nenhum problema. Mudei para Sampa novamente, comecei um trabalho com alunos novos, executivos de Bancos. Aprendi Kung Fu, lutei boxe, fiz novas amizades.
Lembrando Mario Quintana, “A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo... Quando se vê, já é sexta feira... Quando se vê, passaram 60 anos.”
Aí sim, a saudade invade o coração. Sementes que foram plantadas em nossos corações ou que plantamos nos corações de nossos entes queridos, coisas boas que vivemos. Os filhos criados e distantes. A casa agora vazia. Sim, um vazio nostálgico, embora estejamos repletos de lembranças, de amor, do perfume do tempo que passou, mas que deixou marcas, pedacinhos do passado, histórias vividas, uma viagem no tempo.
Agora todas as crises ao mesmo tempo. 60 anos. Como foi que da noite para o dia eu virei “tia”? Idosa? Nem me dei conta, pois o tempo passou rapidamente. Fazer o que? Como driblar esta crise? Como me equilibrar? Cadê minha coragem para enfrentar novas situações? Cadê aquela mulher que desafiava qualquer obstáculo?
Racionalmente sei que precisamos estar bem em vários aspectos: emocional, profissional, espiritual, social, filantrópico, amoroso, afetivo, financeiro, físico e inclusive no laser. Será que é tudo? Então vou trabalhar em cada uma destas áreas para me sentir mais viva e menos saudosa. Mais ativa e menos chorosa.
Ter um segundo encontro comigo mesma, como aconteceu antes, em Atibaia. Procurar novos desafios, descobrir novos gostos, desejar novos conhecimentos, criar novos projetos e encher meu coração de amor e voltando a Mario Quintana, ... não olhar o relógio, seguir sempre, sempre em frente e ir jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
domingo, 25 de abril de 2010
A mais bela carta de amor
Stamane tu dormivi ancora quando mi sono svegliato.
A poco poco uscendo dal sono ho sentito il tuo respiro leggero e attraverso i capelli, che ti nascondevano il viso, ho visto i tuoi occhi chiusi e ho sentito che la comozione mi saliva la gola e avevo voglia di gridare e svegliarti perché la tua stanchezza era troppo profonda e mortale.
Nella penombra, la pelle delle tue braccia, della tua gola, era viva e io la sentivo trepida e asciuta e volevo passarvi sopra le labbra, ma il pensiero di poter turbare il tuo sonno e di averti ancora sveglia tra le mie braccia mi tratteneva. Preferivo averti così, come uma cosa che nessuno poteva togliermi perché ero io solo a possederla.
Una tua immagine per sempre oltre il tuo volto. Credevo qualcosa di piú puro e di piú profondo in cui mi specchiavo, vedevo te in uma dimensione che comprendeva tutto il mio tempo da vivere, tutti gli anni futuri e anche quelli che ho vissuto prima de conoscerti, ma già preparato ad incontrarti.
Questo era il piccolo miracolo de um risveglio, sentire per la prima volta che tu me appartenevi, non solo in quel momento e che la notte si prolungava per sempre accanto a te, nel caldo del tuo sangue, dei tuoi pensieri, della tua volontá che si confundeva con la mia.
Per um attimo ho capito quanto ti amavo ed è stata uma sensazione così intensa che ne ho avuto gli occhi pieni di lacrime. Era perche pensavo che questo non dobrebbe mai finire, che tutta la nostra vita dobrebbe essere per me come il risveglio distamane. Sentirti non mia ma addiritura uma parte de me. Uma cosa che respira com me e che niente potrà distruggere se non la torpida indifferenza di una abitudine che vedo come l´único minaccia.
E poi ti sei svegliata e sorridendo ancora nel sonno mi hai ribaciato e ho sentito che non dovevo temere niente, che noi saremmo sempre come in quel momento, uniti da qualcosa che è piu forte del tempo e dell´abitudine.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
O tombo e Nossa Senhora Aparecida
Acredite se quiser, cai da escada ontem. Do alto da escada, e me arrebentei. Passei a noite no Pronto Socorro do Hospital Santa Catarina, mas graças a Deus e à Nossa Senhora Aparecida, não quebrei nada. Bati a cabeça, ralei feio o braço esquerdo, hematomas no corpo todo, principalmente no bumbum, mas tive uma sorte incrível. Depois de várias tomografias, do crânio, abdômen, pelve e coluna lombar sacra e vários Raio X, do tórax, sacro-coccix, bacia, coluna cervical, coluna lombar-sacra e crânio, o médico de plantão chegou à conclusão que estava tudo bem e me falou para não saracotear muito esta semana, aliás ele deu repouso absoluto por dez dias - até parece que consigo ficar sem fazer nada ou posso me dar ao luxo de dez dias completos só para repousar.
Foi assim. Ontem, dia 04 de janeiro de 2009, às 22 horas, resolvi guardar no armário as caixas com enfeites de Natal. Como sou muito organizada, coloco estas coisas na última prateleira do armário, pois vou precisar disto tudo novamente somente no final do ano. Caixinhas na mão. Escada com cinco degraus e pronto. Lá vou eu. Organizei todas as caixas com etiqueta à vista, “Natal”, e achei uma caixa no fundo do armário. Abri a caixa me equilibrando em cima da tal escada de ferro.
“Nossa, que caixa é esta?” Dentro dela encontrei três pares de castanholas e dois leques que guardei quando parei de fazer aulas de Flamenco, pois minha bailarina morreu. Afinal, quando vou tocar castanholas depois de sua partida? Ela era minha professora de Flamenco, além de uma filha do coração muito querida. Lá estava também a blusa de organdi do vestido de casamento de minha mãe, com 50 botões, que guardo com carinho, uma gravata que meu pai adorava e que tinha trazido de Boston. E no fundo da caixa, virado de cabeça para baixo, um quadrinho, a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Caramba, eu não via esta imagem há muitos anos. A imagem que estava na parede da casa da tia Gilda, na Pamplona, e que minha mãe, num ato de desespero, arrancou pedindo que a Santa me ajudasse a não morrer “afogada”. Eu tinha engasgado após a mamada e estava ficando pretinha. Minha mãe fez a promessa de me levar até a Santa assim que fosse possível. Fui crescendo e nada de cumprir a tal promessa. Minha mãe faleceu.
Muitos anos se passaram e um dia minha amiga Cléa resolveu me fazer uma surpresa. A caminho do Rio de Janeiro, parou em Nossa Senhora Aparecida e disse:
“Agora vamos cumprir a promessa de sua mãe, por ela e por você.”
Fiquei muito feliz, pela minha amiga do coração, pela minha mãe e por mim.
Promessa cumprida.
Bem, retirei a imagem da caixa, desci os degraus da escada, coloquei o quadro em cima do piano e disse para mim mesma: “Santinha, agora você vai ter um lugar de destaque aqui em casa, afinal, se não fosse você, eu não estaria aqui agora.”
Subi novamente os degraus da escada, coloquei todas as caixas em ordem, guardei tudo direitinho, fechei a porta do armário e estava preparada para descer, quando me desequilibrei, escorreguei, a escada se fechou e caiu à frente e eu caí para trás, aliás, despenquei meus 70 kilos, batendo primeiramente o braço esquerdo, depois duas vezes a cabeça numa cômoda onde guardo o material dos alunos e finalmente batendo o cocccix com toda força no chão. A dor foi tão violenta que urinei.
Nos primeiros segundos eu não tinha consciência se o molhado que sentia era sangue e qual o grau do meu ferimento. Arrastei-me até a sala, peguei o telefone e chamei meu filho dizendo que eu estava bem, mas que tinha caído da escada e se ele podia vir me ver.
Ao me dar conta, enquanto esperava por ele, que eu podia me levantar, o fiz bem devagar, apesar de sentir tremor no corpo todo. Vi que o molhado era xixi, limpei e me lavei para ir ao Hospital. Troquei de roupa.
Chegando ao Hospital os médicos foram muito precavidos, me imobilizaram, o que me deu muita aflição, calor e ânsia de vômito.
Fiz todos os exames.
Um médico perguntou: "O que a senhora estava fazendo às dez da noite, trepada em cima da escada?” E depois com os resultados na mão ele disse: “A senhora quer a boa ou a má notícia? A boa notícia, a senhora não quebrou nada. A má notícia é que vai demorar meses para que a dor melhore um pouco, e para se recuperar, vai demorar muito tempo, pois o impacto foi grande."
A Santinha vai mesmo para lugar de destaque. Ela merece.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
É só ligar dois fiozinhos
O piso da casa havia sido trocado, as paredes pintadas, uma nova etapa da vida. A filha morava distante e o filho havia recentemente mudado para a república da Faculdade, numa cidade a três horas de distância, alertando:
- Mãe, já caiu sua ficha? Não moro mais com você.
Tinha deixado um dos banheiros sem reforma, até que uma amiga me perguntou o motivo. Aí me veio a idéia.
Marinheira de primeira viagem, totalmente inexperiente em banheiras de hidromassagem e não vendo a hora de ter a sensação de total relaxamento, após um dia de 14 horas de trabalho ininterrupto, não resisti à tentação e cedi aos meus caprichos. Por que não? Por que não me dar ao luxo, aos 50 anos de idade, de ter uma banheira só para meu lazer?
Estava animada. Os gastos da reforma tinham sido altos, mas não custava nada fazer uma pesquisa de mercado, verificar o preço da tal banheira. Uma coisinha a mais.
Tive que criar coragem, pois para mim banheira de hidromassagem é coisa de gente rica. Liguei pedindo informações para uma amiga que vendia piscinas.
Que surpresa agradável. A amiga, além de me tranqüilizar, me ofereceu preço de custo e pagamento em três cheques. E quando perguntei quanto à instalação, ela disse que era só ligar dois fiozinhos e pronto.
Que animação. Já saí cantando, nem precisava de um parceiro: Que tal nós dois, numa banheira de espuma. Num dolce far niente.
Chamei o pedreiro, aquele cara que inventa fechaduras estrambóticas, faz adaptações do arco da velha, como dizia meu filho, o próprio Michelangelo, bom para serviços gerais, encanador, eletricista e inclusive, nas horas vagas, artista. Sim, afinal ele não havia colocado aquele monte de andorinhas no painel do pintor italiano surrealista?
Ele me disse que precisava do material, coisa à toa, para fazer a instalação.
Bem, entre joelhos, a coisa estava ficando sexy, engates, tubos, luvas, adaptadores, conectores, ele me fala: nipples, os quais, mesmo sabendo a tradução técnica, ou seja, bocais roscados, a imagem dos bicos dos seios, não me saia da cabeça. Caramba!, o que os nipples tinham a ver com a minha banheira?
O dinheiro sumindo. A brincadeira saindo cara. Como se não bastasse, tudo pronto, testando. Motor funcionando, água borbulhando, e totalmente fria.
- Mas Nenê!
Este é o apelido do nosso Michelangelo.
- A água está fria.
Ele responde, como se nada fosse:
- É assim mesmo!
O sangue italiano subindo na cabeça, falo mais alto:
- Como é assim mesmo?
Ele pacientemente:
- Não tem problema não, a senhora coloca água do chuveiro.
Fora de controle, explodi:
- Então vou ter que tomar um banho bala para não esfriar a água? Como vou relaxar? Não está certo. Tem que ter uma solução!
Nenê arrisca:
- Então temos que sair e comprar um aquecedorzinho.
Lá fomos nós pra a casa de materiais.
22:30. Para não pensar na fria, em todos os sentidos, que eu tinha entrado, na grana, nos gastos extras, eu estava quietinha na cama, calmamente, lendo um livro. O telefone toca. Meu tio faz brincadeiras do tipo, Inauguração X Banho de Espuma ao vivo e a cores. De repente me pergunta se está tudo em ordem quanto à banheira. Respondi que só estava faltando testar no dia seguinte, com o novo aquecedor. Pra quê fui tocar neste assunto? Ele mudou de tom imediatamente, disse que Nenê não entendia nada, que ia mandar um especialista amigo dele, que se os fios não estivessem a não sei quantos milímetros de distância, minha casa ia para os ares, explosão radical, curto total, choques, literalmente, na banheira, etc...
Não dormi. Ficava imaginando o terreno da casa, vazio. Tudo queimado e meus filhos chorando. Não havia sobrado nada para eles, nem casa, nem mãe. Tantos anos trabalhando para ter este único imóvel e por causa de uma banheira, um mero capricho, nada restou.
De manhã, com a cara amassada, humor de cão, ainda tentei me animar com o Cd da Evita. Mas a história ainda não tinha acabado. Tinha mais. Após três dias de choques psicológicos e financeiros, após a minuciosa inspeção do especialista no assunto, antes de ligar a famigerada banheira, o qual me garantiu que a ligação estava perfeita, quando Nenê ligou o botão, senti cheiro de queimado. Pulei assustada da cadeira, onde estava sentada, trabalhando nas coisas da escola. Nenê parecia um louco. Desligava as chaves da luz, entrava no banheiro, saia, subia no forro da casa. Estressado, o suor escorrendo da testa. Passou por mim como bala de canhão, um foguete, com o motor debaixo do braço, em direção à cidade, engasgando nervosamente e resmungando abalado e abobalhado, que ia até a cidade verificar aquele motor. Passou de Michelangelo a Rambo.
Finalmente, depois de uma semana de transtornos e menos R$1.200,00 na conta corrente, a banheira funcionou, a água borbulhou e ficou quentinha e todos nos benzemos nela, aliviados.
Viram como era simples, era só ligar dois fiozinhos!
sexta-feira, 2 de abril de 2010
A Física Quântica em Busca da Partícula Divina e o filme AVATAR
Luís de Almeida
(Trechos do artigo de Luís de Almeida, que foi originalmente publicado na Revista Internacional de Espiritismo de Janeiro de 2002)
" A Física continua a dar ao Espiritismo, ainda que os físicos de tal não se apercebam, ou melhor, não queiram por enquanto se aperceber, uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas, que de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar. Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência, assentada nas questões espirituais, mais do que possamos imaginar, e a prova disso é O Livro dos Espíritos - uma obra atual - um manancial para a Física Moderna. Trazendo-nos um novo conceito básico sobre a visão macro e micro-cósmica de Deus (ao defini-Lo como "a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas") do Espírito e da Matéria propriamente dita.
A Física Moderna leva-nos ao encontro do Espírito e de Deus
A física quântica pode constituir uma ponte entre a ciência e o mundo espiritual, pois segundo ela, pode-se "reduzir" a matéria, de forma subjetiva e no domínio do abstrato, até a consciência - causa da "intelectualidade" da matéria. A consciência transforma as possibilidades da matéria em realidade, transformando as possibilidades quânticas em fatos reais. Essa consciência deve apresentar uma unidade e transcender o tempo, espaço e matéria. Não é algo material, na realidade, é a base de todos os seres.
Recordemos o professor de Lyon In O Livro dos Espíritos (9):
Que é o Espírito? - "O princípio inteligente do Universo".
Qual a natureza íntima do Espírito? - "Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa."
Tanto é assim, que os físicos teóricos postulam a existência de uma "partícula", que seria a partícula "fundamental", que ainda não foi encontrada, mas a qual o Prêmio Nobel da física, Leon Lederman, denomina a "partícula divina". Partícula essa decisiva, pois é ela que determina a massa das restantes, bem como a coesão dada pela gravidade dos 90% do universo ainda desconhecido.
Leiamos Kardec In O Livro dos Espíritos (9):
O Espírito independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar? - "São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria."
Poder-se-á conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito? - "Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento."
Cabe lembrar que os físicos, a partir das pesquisas do norte-americano Murray Gel Mann nos aceleradores de partícula, já admitem a existência de um domínio externo ao mundo cósmico dito material onde provavelmente existam agentes ativos também chamados frameworkers, capazes de atuar sobre a energia do Universo, modulando-a e dando-lhe formas de partícula atômica, ou seja por outras palavras - o espírito, chamado também "Agente Estruturador"por vários físicos teóricos.
Retomemos novamente o mestre lionês In O Livro dos Espíritos (9):
Que definição se pode dar dos Espíritos? - "Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material."
São devidos a causas fortuitas, ou, ao contrário, têm todos um fim providencial, os grandes fenômenos da Natureza, os que se consideram como perturbação dos elementos? - '"Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus."
Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, nisto como em tudo; porém, sabendo que os Espíritos exercem ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exercerão certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir? - "Mas evidentemente. Nem poderia ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos."
A Teoria das Supercordas e a Dimensão Psi
Outra teoria quântica, que vem de encontro a existência de uma "partícula divina consciêncial" no final da escala das partículas subatômicas, é a teoria das supercordas. Essa teoria foi melhorada, e é defendida por um dos físicos teóricos mais respeitados da atualidade Edward Witten, professor do Institute for Advanced Study em Princeton, EUA. De maneira bastante simples e resumida, a teoria das supercordas postula que os quarks, mais ínfima partícula subatômica conhecida até o momento, estariam ligados entre si por "supercordas" que, de acordo com sua vibração, dariam a "tonalidade" específica ao núcleo atômico a que pertencem, dando assim as qualidades físico-químicas da partícula em questão.
Querer imaginá-las é como tentar conceber um ponto matemático: é impossível, por enquanto. Além disso, são inimaginavelmente pequenas. Para termos uma ideia: o planeta Terra é dez a vinte ordens grandeza mais pequeno do que o universo, e o núcleo atômico é dez a vinte ordens de grandeza mais pequeno do que a Terra. Pois bem, uma supercorda é dez a vinte ordens menor do que o núcleo atômico.
O professor Rivail, esclarece In O Livro dos Espíritos (9):
A matéria é formada de um só ou de muitos elementos? - "De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva."
Ou seja, é a vibração dessas infinitesimais "cordinhas" que seria responsável pelas características do átomo a que pertencem. Conforme vibrem essas "cordinhas" dariam origem a um átomo de hidrogênio, hélio e assim por diante, que por sua vez, agregados em moléculas, dão origem a compostos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a pelo menos 11 dimensões.
Corrobora Allan Kardec In O Livro dos Espíritos (9):
Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material? - "Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material."
Vimos que o Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro? - "É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio."
Essa teoria traz a ilação de que tal tonalidade vibratória fundamenta é dada por algo ou alguém, de onde abstraímos a consciência como fator propulsor dessas cordas quânticas. Assim sendo, isso ainda mais nos faz pensar numa unidade consciencial vibrando a partir de cada objeto, de cada ser.
Complementa Kardec In O Livro dos Espíritos (9):
É eterna a lei de Deus? - "Eterna e imutável como o próprio Deus."
Onde está escrita a lei de Deus? - "Na consciência."
Seguindo esta teoria e embarcando na idéia lançada por André Luiz In Evolução em Dois Mundos (11), onde somos co-criadores dessa consciência universal, e cada vez mais responsáveis por gerir o estado vibracional das nossas próprias "cordinhas" - a chamada dimensão Psi por vários investigadores espíritas -, à medida que delas nos conscientizemos, chegaremos a harmonia perfeita quando realmente entrarmos em sintonia com a consciência geradora que está em nós, e também no todo, vulgarmente conhecida por Deus, ou como alguns físicos teóricos sustentam "O Supremo Agente Estruturador".
Leiamos o Codificador In O Livro dos Espíritos (9):
Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus? - "A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio - não há efeito sem causa."
Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas? - "Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária."
Interpretemos Allan Kardec In A Gênese (10) Cap. II - A Providência:
A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. «Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.
Esta consciência única do raciocínio quântico transforma-se em dois elementos: um objetivo e outro subjetivo. O subjetivo chamamos de ser quântico, universal, indivisível. A individualização deste ser é consequência de um condicionamento. Esse ser quântico é a maneira como pensamos em Deus, que é o ser criador dentro de nós.
Voltemos ao gênio de Lyon In A Gênese (10) Cap. II - A Providência:
Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo fato de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da Natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz.
Geralmente, nós interpretamos Deus como algo unicamente externo. Pensamos em Deus como um ser separado de nós. Isso é a causa dos conflitos. Se Deus também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que Deus está exclusivamente do lado de fora, então supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Não podemos excluir a nossa vontade, dizendo que tudo ocorre pela vontade de Deus. Temos de reconhecer o deus que há em nós, como afirmou o Doce Amigo há 2000 anos. Então seremos livres.
Allan Kardec atesta In A Gênese (10) Cap. II - A Providência:
Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.
O Livro dos Espíritos: uma obra atual e de referência
A Física continua a dar ao Espiritismo, ainda que os físicos de tal não se apercebam, ou melhor, não queiram por enquanto se aperceber, uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas, que de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar. Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência, assentada nas questões espirituais, mais do que possamos imaginar, e a prova disso é O Livro dos Espíritos (9) - uma obra atual - um manancial para a Física Moderna. Trazendo-nos um novo conceito básico sobre a visão macro e micro-cósmica de Deus (ao defini-Lo como "a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas") do Espírito e da Matéria propriamente dita.
Concluímos com Allan Kardec In O Livro dos Espíritos (9) resumindo toda esta teoria da Física Moderna de forma magistral, simplesmente espantoso, acreditem...:
Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? - "Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e susceptível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá."
quinta-feira, 25 de março de 2010
The Paradox of Our Times
The Paradox of Our Times (By Jeff Dickson)
The paradox of our time in history is that
we have taller buildings, but shorter tempers;
wider freeways, but narrower viewpoints.
We spend more, but have less;
we buy more, but enjoy it less.
We have bigger houses and smaller families;
more conveniences, but less time.
We have more degrees, but less sense;
more knowledge, but less judgement;
more experts, but more problems;
more medicine, but less wellness.
We drink too much, smoke too much, spend too recklessly,
laugh too little, drive too fast, get too angry too quickly,
stay up too late, get up too tired,
read too seldom, watch TV too much,
and pray too seldom.
We have multiplied our possessions, but reduced our values.
We talk too much, love too seldom, and hate too often.
We´ve learned how to make a living, but not a life;
we´ve added years to life, not life to years.
We´ve been all the way to the moon and back,
but have trouble crossing the street to meet a new neighbor.
segunda-feira, 22 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Amiga
Não é só uma questão de deixar de fazer as coisas por causa da chuva, que cai todos os finais de tarde, este é apenas um exemplo.
É uma questão de enxergar caminhos diferentes, ver coisas novas, se exercitar de alguma forma, fisica e mentalmente.
É ter um hobby, um interesse qualquer, além das obrigações da casa.
É construir o futuro, no dia a dia.
Já cometi muitos erros. Já me deixei levar pela emoção e me descontrolei. E não quer dizer que não vou errar de novo. Sou humana. Cometi pecados, fiz bobagens. Posso ainda fazer outros tantos, apesar de cometê-los sem querer.
Mas o importante é recomeçar a cada dia, esta aventura que é a vida, com fé, com vontade, com tesão e alegria de estar aqui mais um dia. É não estagnar, não se entregar, é a famosa ... bola para frente...
Hoje acordei às seis da manhã. Comi uma fruta. De nada adianta lermos as coisas se não colocarmos em prática, então como li que a fruta tem que ser comida de estomago vazio, para limpar o intestino, agora é fruta de manhã e no meio da tarde. Depois fui para a aula de yoga, uma delícia! Uma aula que ensina a respirar, ensina como acalmar o coração, a tomar consciência do corpo e do espírito e do quanto temos que cuidar bem deles. Este também é só um exemplo. Cada um tem que achar o que gosta e em diferentes momentos da vida, gostamos de coisas diferentes e precisamos de coisas diferentes. O importante é não parar no tempo. E isto não quer dizer ficar expert em conhecimentos gerais, os quais, na verdade, não acrescentam quase nada na nossa vida e no nosso espírito. O que importa é nos conhecermos melhor a cada dia e aproveitarmos o que temos de bom em benefício próprio e do próximo, fazer algo para alguém, sem dar pérolas aos porcos, mas sim para alguém que mereça.
Depois de uma hora de aula, eu estava em alfa. E fui a pé, da Matias Aires, até a Rua Cubatão. Foram 25 quarteirões. Que delícia. Chegando lá fiz uma hora de fisioterapia. E voltei... a pé... e sim, estava chovendo, e daí?
Almocei bem, estou aprendendo a me conscientizar da comida que estou colocando no prato. É a segunda vez que aprendo, vamos ver se agora não esqueço mais. Esta minha amnésia me mata...
Fico feliz que uma amiga minha disse que graças a mim ela saiu do sofá. Que ela sente uma vida nova dentro dela. O coração está pulsando, a vida está ficando mais colorida. Agradeço a Deus todos os dias pelas coisas boas que posso passar para as pessoas que amo. As amigas ensinam umas às outras, é só estar disposta, de coração e mente abertos.
Então, agora, após a crônica, vou deitar no sofá? Não! Vou ao cinema, já que hoje só tenho aluna às 19 horas. Vou assistir mais um filme que vai abrir minha mente para informações novas e que provavelmente vai mexer com meu cérebro, me fazer pensar, formar minha própria opinião, que com certeza não será a de nenhum crítico, de nenhuma amiga, de ninguém, além de mim mesma. Vou curtir a vida que é muito curta e não ficar esperando que ela passe na minha frente. Tenho fome de viver e espero que Deus me deixe por aqui por mais 30 anos, no mínimo.
Bola para frente amiga, ache seus caminhos, vibre com as novidades, sinta o calor da pulsação do seu coração e sinta também sua alma se preencher de sonhos e realizações.
te amo
terça-feira, 16 de março de 2010
Fidel, amigo.
30/03/2008
8 horas da manhã.
Dia feio, chuvoso, nublado e escuro. Meu coração está apertado.
Fidel, meu fiel companheiro, morreu ontem à noite.
Hoje abri meus olhos e ele não estava mais ali, na sua caminha, ao lado da minha cama. O quarto estava vazio. Nem seu olhar paciente, esperando que eu me acordasse, nem suas patinhas, como de costume, meu pequeno Fred Astaire, sapateando, pra cá e pra lá, fazendo aquele barulhinho gostoso no assoalho, chamando minha atenção, avisando que era hora de levantar para levá-lo passear.
Fidel nos acompanhou nos últimos 16 anos, desde 18/05/1992.
Passaram-se 16 anos.
Meu filho, então com 10 anos, vivia me pedindo um cachorrinho, mas ele queria igual o da propaganda da Cofap, um basset, que viesse correndo e de repente derrapasse, dando aquela brecada legal.
Quem não tem cão caça com gato... Tentei um gato então, pois não conseguia achar o tal basset. O gato era lindo, branquinho. Nós lhe demos o nome de Honey. Gatos, porém, não tem donos. São independentes, auto-suficientes, malandros, rueiros e o nosso morreu logo. Ele foi encontrado envenenado, num bueiro perto de casa.
Fidel era totalmente oposto, mimado, adorava meus cuidados, carinhos na barriga.
Veio com três dias de vida para nossa casa porque sua mãe estava doente e não podia amamentá-lo e ele foi nossa alegria todos estes anos.
Quando vi o anúncio destes cãezinhos basset, numa Locadora em Atibaia, corri para que finalmente pudesse realizar o desejo de meu filho.
E nos apaixonamos por ele tão logo o vimos. Era o mais forte, o mais troncudo.
Para mim era um bebê. Dava de mamar a ele com um conta-gotas, no colo, o que o fez acreditar que eu era realmente sua mãe. E queria mamar no peito do meu filho também.
Fidel sempre se comportou como um ser humano, super carinhoso e apegado a nós.
Ai se alguém me beijasse... era um ciumento.
Ele demonstrava todo seu carinho e fidelidade com olhos lânguidos de apaixonado.
Seguia meus passos, com o tiquetaquear de suas patas e me acompanhava com seus olhos, onde quer que eu fosse. Foi minha sombra nestes 16 anos.
Ele teve uma existência feliz até o ano passado, quando começaram seus probleminhas de saúde.
Em Atibaia, corria atrás de passarinhos o dia todo. Comia arruda. Brincava o dia todo.
Mordia o calcanhar de alunos e amigos. Aprontava às vezes, andou mordendo umas bundinhas de criança, por aí.
Passeios todos os dias depois que viemos morar no apartamento. Ele estranhou a mudança, da cidade de interior para a selva de pedra de São Paulo.
Cuidados, carinhos, mimos? Como não distribuí-los para esta criatura, barulhenta sim, mas tão afetiva, totalmente dependente da minha intuição.
Percebia tudo que ele queria e quando queria. Água, colinho, comida, passeio, só pelo jeito dele se aproximar.
Obediente e respeitoso. Nunca fez um xixi dentro de casa. Segurava, tenho certeza. Quando eu acordava mais tarde num domingo ele estava me aguardando pacientemente e quando finalmente descíamos, mal chegávamos no local apropriado, era aquela cachoeira. Tadinho...
Quem disse que cachorro não fala? Fidel se comunicava comigo o tempo todo.
Enquanto eu tomava banho, ele se deitava no tapete do meu quarto, de frente para o banheiro e ficava me olhando de lá. De dentro do Box eu conversava com ele. “Estou indo Fidelzinho, daqui a pouco a gente fica juntinho”. Então ele vinha até o banheiro, me olhava, via que eu ainda não estava pronta e voltava para o tapete.
Que amigo especial. Quantas vezes ele me viu chorar. Ele sentia que eu estava triste e lambia minha mão para me animar.
Suspirava profundamente quando eu o colocava para dormir ao meu lado na cama, em cima do edredon. Era um prêmio. Um luxo que eu lhe oferecia de vez em quando. E ele ia, disfarçadamente se chegando para perto de mim, para receber seu cafuné.
Pintou e bordou.
Aprontou das suas, mas eu o defendia com unhas e dentes, como qualquer mãe faz com seus filhotes, se alguém fala deles. A gente pode reclamar. A gente pode discutir, dar bronca, educar, mas ninguém mais tem direito de faze-lo, não é verdade?
Fez parte de nossa vida, nos alegrou, nos deu muito mais do que demos a ele. Ele viveu 16 anos ao nosso lado, mas estará em nossas corações para sempre.
Saudades de você Fidel.