O tombo e Nossa Senhora Aparecida.
Acredite se quiser, cai da escada ontem. Do alto da escada, e me arrebentei. Passei a noite no Pronto Socorro do Hospital Santa Catarina, mas graças a Deus e à Nossa Senhora Aparecida, não quebrei nada. Bati a cabeça, ralei feio o braço esquerdo, hematomas no corpo todo, principalmente no bumbum, mas tive uma sorte incrível. Depois de várias tomografias, do crânio, abdômen, pelve e coluna lombar sacra e vários Raio X, do tórax, sacro-coccix, bacia, coluna cervical, coluna lombar-sacra e crânio, o médico de plantão chegou à conclusão que estava tudo bem e me falou para não saracotear muito esta semana, aliás ele deu repouso absoluto por dez dias - até parece que consigo ficar sem fazer nada ou posso me dar ao luxo de dez dias completos só para repousar.
Foi assim. Ontem, dia 04 de janeiro de 2009, às 22 horas, resolvi guardar no armário as caixas com enfeites de Natal. Como sou muito organizada, coloco estas coisas na última prateleira do armário, pois vou precisar disto tudo novamente somente no final do ano. Caixinhas na mão. Escada com cinco degraus e pronto. Lá vou eu. Organizei todas as caixas com etiqueta à vista, “Natal”, e achei uma caixa no fundo do armário. Abri a caixa me equilibrando em cima da tal escada de ferro.
“Nossa, que caixa é esta?” Dentro dela encontrei três pares de castanholas e dois leques que guardei quando parei de fazer aulas de Flamenco, pois minha bailarina morreu. Afinal, quando vou tocar castanholas depois de sua partida? Ela era minha professora de Flamenco, além de uma filha do coração muito querida. Lá estava também a blusa de organdi do vestido de casamento de minha mãe, com 50 botões, que guardo com carinho, uma gravata que meu pai adorava e que tinha trazido de Boston. E no fundo da caixa, virado de cabeça para baixo, um quadrinho, a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Caramba, eu não via esta imagem há muitos anos. A imagem que estava na parede da casa da tia Gilda, na Pamplona, e que minha mãe, num ato de desespero, arrancou pedindo que a Santa me ajudasse a não morrer “afogada”. Eu tinha engasgado após a mamada e estava ficando pretinha. Minha mãe fez a promessa de me levar até a Santa assim que fosse possível. Fui crescendo e nada de cumprir a tal promessa. Minha mãe faleceu.
Muitos anos se passaram e um dia minha amiga Cléa resolveu me fazer uma surpresa. A caminho do Rio de Janeiro, parou em Nossa Senhora Aparecida e disse:
“Agora vamos cumprir a promessa de sua mãe, por ela e por você.”
Fiquei muito feliz, pela minha amiga do coração, pela minha mãe e por mim.
Promessa cumprida.
Bem, retirei a imagem da caixa, desci os degraus da escada, coloquei o quadro em cima do piano e disse para mim mesma: “Santinha, agora você vai ter um lugar de destaque aqui em casa, afinal, se não fosse você, eu não estaria aqui agora.”
Subi novamente os degraus da escada, coloquei todas as caixas em ordem, guardei tudo direitinho, fechei a porta do armário e estava preparada para descer, quando me desequilibrei, escorreguei, a escada se fechou e caiu à frente e eu caí para trás, aliás, despenquei meus 70 kilos, batendo primeiramente o braço esquerdo, depois duas vezes a cabeça numa cômoda onde guardo o material dos alunos e finalmente batendo o cocccix com toda força no chão. A dor foi tão violenta que urinei.
Nos primeiros segundos eu não tinha consciência se o molhado que sentia era sangue e qual o grau do meu ferimento. Arrastei-me até a sala, peguei o telefone e chamei meu filho dizendo que eu estava bem, mas que tinha caído da escada e se ele podia vir me ver.
Ao me dar conta, enquanto esperava por ele, que eu podia me levantar, o fiz bem devagar, apesar de sentir tremor no corpo todo. Vi que o molhado era xixi, limpei e me lavei para ir ao Hospital. Troquei de roupa.
Chegando ao Hospital os médicos foram muito precavidos, me imobilizaram, o que me deu muita aflição, calor e ânsia de vômito.
Fiz todos os exames.
Um médico perguntou: "O que a senhora estava fazendo às dez da noite, trepada em cima da escada?” E depois com os resultados na mão ele disse: “A senhora quer a boa ou a má notícia? A boa notícia, a senhora não quebrou nada. A má notícia é que vai demorar meses para que a dor melhore um pouco, e para se recuperar, vai demorar muito tempo, pois o impacto foi grande."
A Santinha vai mesmo para lugar de destaque. Ela merece.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
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