É preciso aprender a amar sem se apegar e ao mesmo tempo esquecer-se de si mesmo.
A vida é uma grande escola. Cada um aqui recebe as lições necessárias para seu crescimento espiritual.
Sempre soube qual era minha provação nesta vida. Dizer adeus tantas e tantas vezes à minha filha, tê-la sempre tão distante e tão próxima do coração: A boneca.
Tantas vezes deixar meu filho partir, quando gostaria de segurá-lo por perto por mais meia hora que fosse e acariciar suas costas, seus cabelos, e lhe fazer um cafuné.
Meu pai que partiu quando eu mais precisava dele, recém divorciada, jovem, com uma filha de dois anos para criar e pronta para enfrentar leões para protegê-la. Sozinha.
Os amores que não permaneceram, que partiram. A solidão. Desapego.
Agora os netos. Tão gostoso e confortante segurá-los nos braços, sentir sua pele macia, falar baixinho nos seus ouvidos: “Vovó te ama tanto!” e ter que partir. E mais uma vez, me desapegar.
Vê-los duas vezes por ano, quem sabe.
Sim, me entregar de corpo e alma e depois arrancar meu coração para deixá-lo com Francesco e Antonio.
Amar é tirar férias para trabalhar de cozinheira, babá, empregada e ainda pagar para isto, e ainda usar as míseras economias, para poder vir dar uma força a quem amamos.
Amar é ser humilde e perguntar ao companheiro da filha que horas ele quer que você chegue no dia seguinte. Perdoar quem já lhe feriu.
Amar é se dar, sem esperar nenhuma recompensa, a gratidão de um beijo carinhoso por exemplo, e se este vier, alegrar-se infinitamente porque foi inesperado.
Amar é ouvir o choro do bebê e tentar adivinhar o que aliviaria sua dor.
Amar é não medir esforços mesmo sabendo que estas duas luzinhas poderão te estranhar quando te virem na próxima vez, que sabe-se lá quando será.
Então acho que cumpri mais uma vez minha missão, de harmonia, de perdão, de humildade, de dedicação, de entrega, de amor incondicional, de presença quando meus filhos mais precisam de mim, meu apoio emocional.
Parto feliz pela paz que tentei dar a meus netinhos neste mês de agosto de 2010, e triste pelas saudades que já sinto antes de partir.
Que Deus abençoe esta família e encha o coração destes pais de amor, pelo milagre da vida de seus filhos.