quinta-feira, 29 de abril de 2010

As crises de idade

As crises de idade...
Não me lembro de ter passado por nenhuma crise de idade até agora e olhem que tenho uma memória de elefante, segundo minha família e meus amigos.
Todos falam da crise da adolescência, quando os jovens ficam mais rebeldes, contestadores, irritados e irritantes. Não passei por isto. Sentia-me confiante e muito responsável. Em nenhum momento, perturbada. Atravessei aqueles anos sem me dar conta dos questionamentos da época.
Depois vem a crise do adulto jovem, que tem filhos pequenos e se sente cobrado, tendo que abdicar de muitas coisas, tendo que dedicar toda sua atenção para os filhos pequenos, 24 horas por dia, estando junto deles ou não. No meu caso, trabalhando fora, apesar de ter uma filha de dois anos e depois mais tarde com um filho de meses, tive que fazer malabarismos para poder conciliar casa, profissão e as obrigações e responsabilidades de mãe e de pai, ao mesmo tempo. Sinceramente, foi uma delícia e não senti nenhuma crise. A casa vivia cheia de crianças nos finais de semana e eu, chegada a “Cosme e Damião”, me divertia para valer.
Todos falam na crise dos 40, que chega implacável e arrasa, principalmente as mulheres. Nada! Não senti absolutamente nada. Aos 40 me sentia segura, linda, gostosa, chique, cheia de alegria, cheia de projetos novos e com uma energia descomunal. Aos 40 eu tinha uma filha de 18 anos de idade, um filho de 9 e muitos sonhos. Na verdade eu me sentia uma criança. Só não fiz chover. Abri uma escola, onde cuidava de 53 crianças, fiz uma Praça, dancei em Escola de Samba, escrevi um livro. Cantava todos os finais de semana em bares, restaurantes e hotéis em Atibaia. Namorei, beijei e me apaixonei. Cadê a crise? E ainda para completar esta fase, me conheci melhor, fiquei bem sozinha comigo mesma, cresci, amadureci um pouco mais.
Aos 50, nenhum problema. Mudei para Sampa novamente, comecei um trabalho com alunos novos, executivos de Bancos. Aprendi Kung Fu, lutei boxe, fiz novas amizades.
Lembrando Mario Quintana, “A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas: há tempo... Quando se vê, já é sexta feira... Quando se vê, passaram 60 anos.”
Aí sim, a saudade invade o coração. Sementes que foram plantadas em nossos corações ou que plantamos nos corações de nossos entes queridos, coisas boas que vivemos. Os filhos criados e distantes. A casa agora vazia. Sim, um vazio nostálgico, embora estejamos repletos de lembranças, de amor, do perfume do tempo que passou, mas que deixou marcas, pedacinhos do passado, histórias vividas, uma viagem no tempo.
Agora todas as crises ao mesmo tempo. 60 anos. Como foi que da noite para o dia eu virei “tia”? Idosa? Nem me dei conta, pois o tempo passou rapidamente. Fazer o que? Como driblar esta crise? Como me equilibrar? Cadê minha coragem para enfrentar novas situações? Cadê aquela mulher que desafiava qualquer obstáculo?
Racionalmente sei que precisamos estar bem em vários aspectos: emocional, profissional, espiritual, social, filantrópico, amoroso, afetivo, financeiro, físico e inclusive no laser. Será que é tudo? Então vou trabalhar em cada uma destas áreas para me sentir mais viva e menos saudosa. Mais ativa e menos chorosa.
Ter um segundo encontro comigo mesma, como aconteceu antes, em Atibaia. Procurar novos desafios, descobrir novos gostos, desejar novos conhecimentos, criar novos projetos e encher meu coração de amor e voltando a Mario Quintana, ... não olhar o relógio, seguir sempre, sempre em frente e ir jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.

domingo, 25 de abril de 2010

A mais bela carta de amor

Carta do personagem de Marcelo Mastroiani no filme A NOITE

Stamane tu dormivi ancora quando mi sono svegliato.
A poco poco uscendo dal sono ho sentito il tuo respiro leggero e attraverso i capelli, che ti nascondevano il viso, ho visto i tuoi occhi chiusi e ho sentito che la comozione mi saliva la gola e avevo voglia di gridare e svegliarti perché la tua stanchezza era troppo profonda e mortale.
Nella penombra, la pelle delle tue braccia, della tua gola, era viva e io la sentivo trepida e asciuta e volevo passarvi sopra le labbra, ma il pensiero di poter turbare il tuo sonno e di averti ancora sveglia tra le mie braccia mi tratteneva. Preferivo averti così, come uma cosa che nessuno poteva togliermi perché ero io solo a possederla.
Una tua immagine per sempre oltre il tuo volto. Credevo qualcosa di piú puro e di piú profondo in cui mi specchiavo, vedevo te in uma dimensione che comprendeva tutto il mio tempo da vivere, tutti gli anni futuri e anche quelli che ho vissuto prima de conoscerti, ma già preparato ad incontrarti.
Questo era il piccolo miracolo de um risveglio, sentire per la prima volta che tu me appartenevi, non solo in quel momento e che la notte si prolungava per sempre accanto a te, nel caldo del tuo sangue, dei tuoi pensieri, della tua volontá che si confundeva con la mia.
Per um attimo ho capito quanto ti amavo ed è stata uma sensazione così intensa che ne ho avuto gli occhi pieni di lacrime. Era perche pensavo che questo non dobrebbe mai finire, che tutta la nostra vita dobrebbe essere per me come il risveglio distamane. Sentirti non mia ma addiritura uma parte de me. Uma cosa che respira com me e che niente potrà distruggere se non la torpida indifferenza di una abitudine che vedo come l´único minaccia.
E poi ti sei svegliata e sorridendo ancora nel sonno mi hai ribaciato e ho sentito che non dovevo temere niente, che noi saremmo sempre come in quel momento, uniti da qualcosa che è piu forte del tempo e dell´abitudine.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O tombo e Nossa Senhora Aparecida

O tombo e Nossa Senhora Aparecida.



Acredite se quiser, cai da escada ontem. Do alto da escada, e me arrebentei. Passei a noite no Pronto Socorro do Hospital Santa Catarina, mas graças a Deus e à Nossa Senhora Aparecida, não quebrei nada. Bati a cabeça, ralei feio o braço esquerdo, hematomas no corpo todo, principalmente no bumbum, mas tive uma sorte incrível. Depois de várias tomografias, do crânio, abdômen, pelve e coluna lombar sacra e vários Raio X, do tórax, sacro-coccix, bacia, coluna cervical, coluna lombar-sacra e crânio, o médico de plantão chegou à conclusão que estava tudo bem e me falou para não saracotear muito esta semana, aliás ele deu repouso absoluto por dez dias - até parece que consigo ficar sem fazer nada ou posso me dar ao luxo de dez dias completos só para repousar.
Foi assim. Ontem, dia 04 de janeiro de 2009, às 22 horas, resolvi guardar no armário as caixas com enfeites de Natal. Como sou muito organizada, coloco estas coisas na última prateleira do armário, pois vou precisar disto tudo novamente somente no final do ano. Caixinhas na mão. Escada com cinco degraus e pronto. Lá vou eu. Organizei todas as caixas com etiqueta à vista, “Natal”, e achei uma caixa no fundo do armário. Abri a caixa me equilibrando em cima da tal escada de ferro.
“Nossa, que caixa é esta?” Dentro dela encontrei três pares de castanholas e dois leques que guardei quando parei de fazer aulas de Flamenco, pois minha bailarina morreu. Afinal, quando vou tocar castanholas depois de sua partida? Ela era minha professora de Flamenco, além de uma filha do coração muito querida. Lá estava também a blusa de organdi do vestido de casamento de minha mãe, com 50 botões, que guardo com carinho, uma gravata que meu pai adorava e que tinha trazido de Boston. E no fundo da caixa, virado de cabeça para baixo, um quadrinho, a imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Caramba, eu não via esta imagem há muitos anos. A imagem que estava na parede da casa da tia Gilda, na Pamplona, e que minha mãe, num ato de desespero, arrancou pedindo que a Santa me ajudasse a não morrer “afogada”. Eu tinha engasgado após a mamada e estava ficando pretinha. Minha mãe fez a promessa de me levar até a Santa assim que fosse possível. Fui crescendo e nada de cumprir a tal promessa. Minha mãe faleceu.
Muitos anos se passaram e um dia minha amiga Cléa resolveu me fazer uma surpresa. A caminho do Rio de Janeiro, parou em Nossa Senhora Aparecida e disse:
“Agora vamos cumprir a promessa de sua mãe, por ela e por você.”
Fiquei muito feliz, pela minha amiga do coração, pela minha mãe e por mim.
Promessa cumprida.
Bem, retirei a imagem da caixa, desci os degraus da escada, coloquei o quadro em cima do piano e disse para mim mesma: “Santinha, agora você vai ter um lugar de destaque aqui em casa, afinal, se não fosse você, eu não estaria aqui agora.”
Subi novamente os degraus da escada, coloquei todas as caixas em ordem, guardei tudo direitinho, fechei a porta do armário e estava preparada para descer, quando me desequilibrei, escorreguei, a escada se fechou e caiu à frente e eu caí para trás, aliás, despenquei meus 70 kilos, batendo primeiramente o braço esquerdo, depois duas vezes a cabeça numa cômoda onde guardo o material dos alunos e finalmente batendo o cocccix com toda força no chão. A dor foi tão violenta que urinei.
Nos primeiros segundos eu não tinha consciência se o molhado que sentia era sangue e qual o grau do meu ferimento. Arrastei-me até a sala, peguei o telefone e chamei meu filho dizendo que eu estava bem, mas que tinha caído da escada e se ele podia vir me ver.
Ao me dar conta, enquanto esperava por ele, que eu podia me levantar, o fiz bem devagar, apesar de sentir tremor no corpo todo. Vi que o molhado era xixi, limpei e me lavei para ir ao Hospital. Troquei de roupa.
Chegando ao Hospital os médicos foram muito precavidos, me imobilizaram, o que me deu muita aflição, calor e ânsia de vômito.
Fiz todos os exames.
Um médico perguntou: "O que a senhora estava fazendo às dez da noite, trepada em cima da escada?” E depois com os resultados na mão ele disse: “A senhora quer a boa ou a má notícia? A boa notícia, a senhora não quebrou nada. A má notícia é que vai demorar meses para que a dor melhore um pouco, e para se recuperar, vai demorar muito tempo, pois o impacto foi grande."
A Santinha vai mesmo para lugar de destaque. Ela merece.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

É só ligar dois fiozinhos

É só ligar dois fiozinhos

O piso da casa havia sido trocado, as paredes pintadas, uma nova etapa da vida. A filha morava distante e o filho havia recentemente mudado para a república da Faculdade, numa cidade a três horas de distância, alertando:
- Mãe, já caiu sua ficha? Não moro mais com você.
Tinha deixado um dos banheiros sem reforma, até que uma amiga me perguntou o motivo. Aí me veio a idéia.
Marinheira de primeira viagem, totalmente inexperiente em banheiras de hidromassagem e não vendo a hora de ter a sensação de total relaxamento, após um dia de 14 horas de trabalho ininterrupto, não resisti à tentação e cedi aos meus caprichos. Por que não? Por que não me dar ao luxo, aos 50 anos de idade, de ter uma banheira só para meu lazer?
Estava animada. Os gastos da reforma tinham sido altos, mas não custava nada fazer uma pesquisa de mercado, verificar o preço da tal banheira. Uma coisinha a mais.
Tive que criar coragem, pois para mim banheira de hidromassagem é coisa de gente rica. Liguei pedindo informações para uma amiga que vendia piscinas.
Que surpresa agradável. A amiga, além de me tranqüilizar, me ofereceu preço de custo e pagamento em três cheques. E quando perguntei quanto à instalação, ela disse que era só ligar dois fiozinhos e pronto.
Que animação. Já saí cantando, nem precisava de um parceiro: Que tal nós dois, numa banheira de espuma. Num dolce far niente.
Chamei o pedreiro, aquele cara que inventa fechaduras estrambóticas, faz adaptações do arco da velha, como dizia meu filho, o próprio Michelangelo, bom para serviços gerais, encanador, eletricista e inclusive, nas horas vagas, artista. Sim, afinal ele não havia colocado aquele monte de andorinhas no painel do pintor italiano surrealista?
Ele me disse que precisava do material, coisa à toa, para fazer a instalação.
Bem, entre joelhos, a coisa estava ficando sexy, engates, tubos, luvas, adaptadores, conectores, ele me fala: nipples, os quais, mesmo sabendo a tradução técnica, ou seja, bocais roscados, a imagem dos bicos dos seios, não me saia da cabeça. Caramba!, o que os nipples tinham a ver com a minha banheira?
O dinheiro sumindo. A brincadeira saindo cara. Como se não bastasse, tudo pronto, testando. Motor funcionando, água borbulhando, e totalmente fria.
- Mas Nenê!
Este é o apelido do nosso Michelangelo.
- A água está fria.
Ele responde, como se nada fosse:
- É assim mesmo!
O sangue italiano subindo na cabeça, falo mais alto:
- Como é assim mesmo?
Ele pacientemente:
- Não tem problema não, a senhora coloca água do chuveiro.
Fora de controle, explodi:
- Então vou ter que tomar um banho bala para não esfriar a água? Como vou relaxar? Não está certo. Tem que ter uma solução!
Nenê arrisca:
- Então temos que sair e comprar um aquecedorzinho.

Lá fomos nós pra a casa de materiais.

22:30. Para não pensar na fria, em todos os sentidos, que eu tinha entrado, na grana, nos gastos extras, eu estava quietinha na cama, calmamente, lendo um livro. O telefone toca. Meu tio faz brincadeiras do tipo, Inauguração X Banho de Espuma ao vivo e a cores. De repente me pergunta se está tudo em ordem quanto à banheira. Respondi que só estava faltando testar no dia seguinte, com o novo aquecedor. Pra quê fui tocar neste assunto? Ele mudou de tom imediatamente, disse que Nenê não entendia nada, que ia mandar um especialista amigo dele, que se os fios não estivessem a não sei quantos milímetros de distância, minha casa ia para os ares, explosão radical, curto total, choques, literalmente, na banheira, etc...
Não dormi. Ficava imaginando o terreno da casa, vazio. Tudo queimado e meus filhos chorando. Não havia sobrado nada para eles, nem casa, nem mãe. Tantos anos trabalhando para ter este único imóvel e por causa de uma banheira, um mero capricho, nada restou.
De manhã, com a cara amassada, humor de cão, ainda tentei me animar com o Cd da Evita. Mas a história ainda não tinha acabado. Tinha mais. Após três dias de choques psicológicos e financeiros, após a minuciosa inspeção do especialista no assunto, antes de ligar a famigerada banheira, o qual me garantiu que a ligação estava perfeita, quando Nenê ligou o botão, senti cheiro de queimado. Pulei assustada da cadeira, onde estava sentada, trabalhando nas coisas da escola. Nenê parecia um louco. Desligava as chaves da luz, entrava no banheiro, saia, subia no forro da casa. Estressado, o suor escorrendo da testa. Passou por mim como bala de canhão, um foguete, com o motor debaixo do braço, em direção à cidade, engasgando nervosamente e resmungando abalado e abobalhado, que ia até a cidade verificar aquele motor. Passou de Michelangelo a Rambo.
Finalmente, depois de uma semana de transtornos e menos R$1.200,00 na conta corrente, a banheira funcionou, a água borbulhou e ficou quentinha e todos nos benzemos nela, aliviados.

Viram como era simples, era só ligar dois fiozinhos!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Física Quântica em Busca da Partícula Divina e o filme AVATAR

A Física Quântica em Busca da Partícula Divina
Luís de Almeida
(Trechos do artigo de Luís de Almeida, que foi originalmente publicado na Revista Internacional de Espiritismo de Janeiro de 2002)
" A Física continua a dar ao Espiritismo, ainda que os físicos de tal não se apercebam, ou melhor, não queiram por enquanto se aperceber, uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas, que de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar. Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência, assentada nas questões espirituais, mais do que possamos imaginar, e a prova disso é O Livro dos Espíritos - uma obra atual - um manancial para a Física Moderna. Trazendo-nos um novo conceito básico sobre a visão macro e micro-cósmica de Deus (ao defini-Lo como "a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas") do Espírito e da Matéria propriamente dita.
A Física Moderna leva-nos ao encontro do Espírito e de Deus
A física quântica pode constituir uma ponte entre a ciência e o mundo espiritual, pois segundo ela, pode-se "reduzir" a matéria, de forma subjetiva e no domínio do abstrato, até a consciência - causa da "intelectualidade" da matéria. A consciência transforma as possibilidades da matéria em realidade, transformando as possibilidades quânticas em fatos reais. Essa consciência deve apresentar uma unidade e transcender o tempo, espaço e matéria. Não é algo material, na realidade, é a base de todos os seres.
Recordemos o professor de Lyon In O Livro dos Espíritos (9):
Que é o Espírito? - "O princípio inteligente do Universo".
Qual a natureza íntima do Espírito? - "Não é fácil analisar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele nada é, por não ser palpável. Para nós, entretanto, é alguma coisa."
Tanto é assim, que os físicos teóricos postulam a existência de uma "partícula", que seria a partícula "fundamental", que ainda não foi encontrada, mas a qual o Prêmio Nobel da física, Leon Lederman, denomina a "partícula divina". Partícula essa decisiva, pois é ela que determina a massa das restantes, bem como a coesão dada pela gravidade dos 90% do universo ainda desconhecido.
Leiamos Kardec In O Livro dos Espíritos (9):
O Espírito independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar? - "São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria."
Poder-se-á conceber o Espírito sem a matéria e a matéria sem o Espírito? - "Pode-se, é fora de dúvida, pelo pensamento."
Cabe lembrar que os físicos, a partir das pesquisas do norte-americano Murray Gel Mann nos aceleradores de partícula, já admitem a existência de um domínio externo ao mundo cósmico dito material onde provavelmente existam agentes ativos também chamados frameworkers, capazes de atuar sobre a energia do Universo, modulando-a e dando-lhe formas de partícula atômica, ou seja por outras palavras - o espírito, chamado também "Agente Estruturador"por vários físicos teóricos.
Retomemos novamente o mestre lionês In O Livro dos Espíritos (9):
Que definição se pode dar dos Espíritos? - "Pode dizer-se que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Povoam o Universo, fora do mundo material."
São devidos a causas fortuitas, ou, ao contrário, têm todos um fim providencial, os grandes fenômenos da Natureza, os que se consideram como perturbação dos elementos? - '"Tudo tem uma razão de ser e nada acontece sem a permissão de Deus."
Concebemos perfeitamente que a vontade de Deus seja a causa primária, nisto como em tudo; porém, sabendo que os Espíritos exercem ação sobre a matéria e que são os agentes da vontade de Deus, perguntamos se alguns dentre eles não exercerão certa influência sobre os elementos para os agitar, acalmar ou dirigir? - "Mas evidentemente. Nem poderia ser de outro modo. Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos."
A Teoria das Supercordas e a Dimensão Psi
Outra teoria quântica, que vem de encontro a existência de uma "partícula divina consciêncial" no final da escala das partículas subatômicas, é a teoria das supercordas. Essa teoria foi melhorada, e é defendida por um dos físicos teóricos mais respeitados da atualidade Edward Witten, professor do Institute for Advanced Study em Princeton, EUA. De maneira bastante simples e resumida, a teoria das supercordas postula que os quarks, mais ínfima partícula subatômica conhecida até o momento, estariam ligados entre si por "supercordas" que, de acordo com sua vibração, dariam a "tonalidade" específica ao núcleo atômico a que pertencem, dando assim as qualidades físico-químicas da partícula em questão.
Querer imaginá-las é como tentar conceber um ponto matemático: é impossível, por enquanto. Além disso, são inimaginavelmente pequenas. Para termos uma ideia: o planeta Terra é dez a vinte ordens grandeza mais pequeno do que o universo, e o núcleo atômico é dez a vinte ordens de grandeza mais pequeno do que a Terra. Pois bem, uma supercorda é dez a vinte ordens menor do que o núcleo atômico.
O professor Rivail, esclarece In O Livro dos Espíritos (9):
A matéria é formada de um só ou de muitos elementos? - "De um só elemento primitivo. Os corpos que considerais simples não são verdadeiros elementos, são transformações da matéria primitiva."
Ou seja, é a vibração dessas infinitesimais "cordinhas" que seria responsável pelas características do átomo a que pertencem. Conforme vibrem essas "cordinhas" dariam origem a um átomo de hidrogênio, hélio e assim por diante, que por sua vez, agregados em moléculas, dão origem a compostos específicos e cada vez mais complexos, levando-nos a pelo menos 11 dimensões.
Corrobora Allan Kardec In O Livro dos Espíritos (9):
Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material, poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material? - "Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material."
Vimos que o Espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital será um terceiro? - "É, sem dúvida, um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas que também tem sua origem na matéria universal modificada. É, para vós, um elemento, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois que tudo isso deriva de um só princípio."
Essa teoria traz a ilação de que tal tonalidade vibratória fundamenta é dada por algo ou alguém, de onde abstraímos a consciência como fator propulsor dessas cordas quânticas. Assim sendo, isso ainda mais nos faz pensar numa unidade consciencial vibrando a partir de cada objeto, de cada ser.
Complementa Kardec In O Livro dos Espíritos (9):
É eterna a lei de Deus? - "Eterna e imutável como o próprio Deus."
Onde está escrita a lei de Deus? - "Na consciência."
Seguindo esta teoria e embarcando na idéia lançada por André Luiz In Evolução em Dois Mundos (11), onde somos co-criadores dessa consciência universal, e cada vez mais responsáveis por gerir o estado vibracional das nossas próprias "cordinhas" - a chamada dimensão Psi por vários investigadores espíritas -, à medida que delas nos conscientizemos, chegaremos a harmonia perfeita quando realmente entrarmos em sintonia com a consciência geradora que está em nós, e também no todo, vulgarmente conhecida por Deus, ou como alguns físicos teóricos sustentam "O Supremo Agente Estruturador".
Leiamos o Codificador In O Livro dos Espíritos (9):
Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus? - "A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma consequência do princípio - não há efeito sem causa."
Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas? - "Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária."
Interpretemos Allan Kardec In A Gênese (10) Cap. II - A Providência:
A providência é a solicitude de Deus para com as suas criaturas. Ele está em toda parte, tudo vê, a tudo preside, mesmo às coisas mais mínimas. É nisto que consiste a ação providencial. «Como pode Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, imiscuir-se em pormenores ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo?» Esta a interrogação que a si mesmo dirige o incrédulo, concluindo por dizer que, admitida a existência de Deus, só se pode admitir, quanto à sua ação, que ela se exerça sobre as leis gerais do Universo; que este funcione de toda a eternidade em virtude dessas leis, às quais toda criatura se acha submetida na esfera de suas atividades, sem que haja mister a intervenção incessante da Providência.
Esta consciência única do raciocínio quântico transforma-se em dois elementos: um objetivo e outro subjetivo. O subjetivo chamamos de ser quântico, universal, indivisível. A individualização deste ser é consequência de um condicionamento. Esse ser quântico é a maneira como pensamos em Deus, que é o ser criador dentro de nós.
Voltemos ao gênio de Lyon In A Gênese (10) Cap. II - A Providência:
Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização o podem perceber. Pelo fato de não o verem, não se segue que os Espíritos imperfeitos estejam mais distantes dele do que os outros; esses Espíritos, como os demais, como todos os seres da Natureza, se encontram mergulhados no fluido divino, do mesmo modo que nós o estamos na luz.
Geralmente, nós interpretamos Deus como algo unicamente externo. Pensamos em Deus como um ser separado de nós. Isso é a causa dos conflitos. Se Deus também está dentro de nós, podemos mudar por nossa própria vontade. Mas se acreditamos que Deus está exclusivamente do lado de fora, então supomos que só Ele pode nos mudar e não nos transformamos pela nossa própria vontade. Não podemos excluir a nossa vontade, dizendo que tudo ocorre pela vontade de Deus. Temos de reconhecer o deus que há em nós, como afirmou o Doce Amigo há 2000 anos. Então seremos livres.
Allan Kardec atesta In A Gênese (10) Cap. II - A Providência:
Achamo-nos então, constantemente, em presença da Divindade; nenhuma das nossas ações lhe podemos subtrair ao olhar; o nosso pensamento está em contacto ininterrupto com o seu pensamento, havendo, pois, razão para dizer-se que Deus vê os mais profundos refolhos do nosso coração. Estamos nele, como ele está em nós, segundo a palavra do Cristo.
Para estender a sua solicitude a todas as criaturas, não precisa Deus lançar o olhar do Alto da imensidade. As nossas preces, para que ele as ouça, não precisam transpor o espaço, nem ser ditas com voz retumbante, pois que, estando de contínuo ao nosso lado, os nossos pensamentos repercutem nele.
O Livro dos Espíritos: uma obra atual e de referência
A Física continua a dar ao Espiritismo, ainda que os físicos de tal não se apercebam, ou melhor, não queiram por enquanto se aperceber, uma contribuição gigantesca na confirmação dos postulados espíritas, que de maneira nenhuma nós, os espíritas, poderemos subestimar. Existe uma ciência espírita, com uma metodologia de ciência, assentada nas questões espirituais, mais do que possamos imaginar, e a prova disso é O Livro dos Espíritos (9) - uma obra atual - um manancial para a Física Moderna. Trazendo-nos um novo conceito básico sobre a visão macro e micro-cósmica de Deus (ao defini-Lo como "a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas") do Espírito e da Matéria propriamente dita.
Concluímos com Allan Kardec In O Livro dos Espíritos (9) resumindo toda esta teoria da Física Moderna de forma magistral, simplesmente espantoso, acreditem...:
Há então dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito? - "Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. Mas ao elemento material se tem que juntar o fluido universal, que desempenha o papel de intermediário entre o Espírito e a matéria propriamente dita por demais grosseira para que o Espírito possa exercer ação sobre ela. Embora, de certo ponto de vista, seja lícito classificá-lo com o elemento material, ele se distingue deste por propriedades especiais. Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. Está colocado entre o Espírito e a matéria; é fluido, como a matéria, e susceptível, pelas suas inumeráveis combinações com esta e sob a ação do Espírito, de produzir a infinita variedade das coisas de que apenas conheceis uma parte mínima. Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá."