terça-feira, 16 de março de 2010

Fidel, amigo.



30/03/2008

8 horas da manhã.
Dia feio, chuvoso, nublado e escuro. Meu coração está apertado.
Fidel, meu fiel companheiro, morreu ontem à noite.
Hoje abri meus olhos e ele não estava mais ali, na sua caminha, ao lado da minha cama. O quarto estava vazio. Nem seu olhar paciente, esperando que eu me acordasse, nem suas patinhas, como de costume, meu pequeno Fred Astaire, sapateando, pra cá e pra lá, fazendo aquele barulhinho gostoso no assoalho, chamando minha atenção, avisando que era hora de levantar para levá-lo passear.
Fidel nos acompanhou nos últimos 16 anos, desde 18/05/1992.
Passaram-se 16 anos.
Meu filho, então com 10 anos, vivia me pedindo um cachorrinho, mas ele queria igual o da propaganda da Cofap, um basset, que viesse correndo e de repente derrapasse, dando aquela brecada legal.
Quem não tem cão caça com gato... Tentei um gato então, pois não conseguia achar o tal basset. O gato era lindo, branquinho. Nós lhe demos o nome de Honey. Gatos, porém, não tem donos. São independentes, auto-suficientes, malandros, rueiros e o nosso morreu logo. Ele foi encontrado envenenado, num bueiro perto de casa.
Fidel era totalmente oposto, mimado, adorava meus cuidados, carinhos na barriga.
Veio com três dias de vida para nossa casa porque sua mãe estava doente e não podia amamentá-lo e ele foi nossa alegria todos estes anos.
Quando vi o anúncio destes cãezinhos basset, numa Locadora em Atibaia, corri para que finalmente pudesse realizar o desejo de meu filho.
E nos apaixonamos por ele tão logo o vimos. Era o mais forte, o mais troncudo.
Para mim era um bebê. Dava de mamar a ele com um conta-gotas, no colo, o que o fez acreditar que eu era realmente sua mãe. E queria mamar no peito do meu filho também.
Fidel sempre se comportou como um ser humano, super carinhoso e apegado a nós.
Ai se alguém me beijasse... era um ciumento.
Ele demonstrava todo seu carinho e fidelidade com olhos lânguidos de apaixonado.
Seguia meus passos, com o tiquetaquear de suas patas e me acompanhava com seus olhos, onde quer que eu fosse. Foi minha sombra nestes 16 anos.
Ele teve uma existência feliz até o ano passado, quando começaram seus probleminhas de saúde.
Em Atibaia, corria atrás de passarinhos o dia todo. Comia arruda. Brincava o dia todo.
Mordia o calcanhar de alunos e amigos. Aprontava às vezes, andou mordendo umas bundinhas de criança, por aí.
Passeios todos os dias depois que viemos morar no apartamento. Ele estranhou a mudança, da cidade de interior para a selva de pedra de São Paulo.
Cuidados, carinhos, mimos? Como não distribuí-los para esta criatura, barulhenta sim, mas tão afetiva, totalmente dependente da minha intuição.
Percebia tudo que ele queria e quando queria. Água, colinho, comida, passeio, só pelo jeito dele se aproximar.
Obediente e respeitoso. Nunca fez um xixi dentro de casa. Segurava, tenho certeza. Quando eu acordava mais tarde num domingo ele estava me aguardando pacientemente e quando finalmente descíamos, mal chegávamos no local apropriado, era aquela cachoeira. Tadinho...
Quem disse que cachorro não fala? Fidel se comunicava comigo o tempo todo.
Enquanto eu tomava banho, ele se deitava no tapete do meu quarto, de frente para o banheiro e ficava me olhando de lá. De dentro do Box eu conversava com ele. “Estou indo Fidelzinho, daqui a pouco a gente fica juntinho”. Então ele vinha até o banheiro, me olhava, via que eu ainda não estava pronta e voltava para o tapete.
Que amigo especial. Quantas vezes ele me viu chorar. Ele sentia que eu estava triste e lambia minha mão para me animar.
Suspirava profundamente quando eu o colocava para dormir ao meu lado na cama, em cima do edredon. Era um prêmio. Um luxo que eu lhe oferecia de vez em quando. E ele ia, disfarçadamente se chegando para perto de mim, para receber seu cafuné.
Pintou e bordou.
Aprontou das suas, mas eu o defendia com unhas e dentes, como qualquer mãe faz com seus filhotes, se alguém fala deles. A gente pode reclamar. A gente pode discutir, dar bronca, educar, mas ninguém mais tem direito de faze-lo, não é verdade?
Fez parte de nossa vida, nos alegrou, nos deu muito mais do que demos a ele. Ele viveu 16 anos ao nosso lado, mas estará em nossas corações para sempre.
Saudades de você Fidel.

5 comentários:

  1. Oi Mara!
    Adorei teu novo blog

    Um beijo!

    J C Cecilio

    depois passe pelo meu blog, ok?

    http://planetajc.blog.terra.com.br/

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  2. Eu adorei teu blog, Mara, mas eu sou muito suspeita de falar. Bjos

    Larissa

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  3. Oi minha amiga, tive a chance de conhecer seu fiel escudeiro, o gabriel adorava brincar com ele... um dia o gabriel, fez carinho nele, ele se infocovou e não deixou, mas logo logofoi se chegando e deixou meu filho fazer carinho nele... saudades... beijos Gi

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  4. Olá Super Mara!!

    Quero dizer para todos que acessarem este blog que te admiro muito, acho que jamais vou conhecer uma pessoa tão fascinate, incansável, batalhadora e etc...
    Quanto ao seu BLOG, uau, amei!!
    Muuuuuuuuuuuuuuitos Beijos!!
    Michele Becker
    Michele Becker

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  5. mara esse blog ta cada dia mais interessante muito bom bjos
    justo!!!

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