quarta-feira, 23 de maio de 2012

Caminhadas e Aprendizado

15 de maio de 2012
Caminhadas e Aprendizado

Hoje sai para minha caminhada diária em direção ao Citi onde dou aulas de Inglês. Sempre agradeço a Deus por estas caminhadas porque eu vejo tantas coisas, tanta vida, tanto para pensar e aprender e muito mais ainda para agradecer. Às sete da manhã estava friozinho. Olhei para as nuvens no céu, elas estavam loucas, devido ao vento, movendo-se rápido demais, nunca tinha visto o céu assim, tão cheio de nuvens, mas entre elas, de repente, aparecia aquele céu azul, um azul lindo. E coincidentemente enquanto eu observava o céu uma mulher veio andando em minha direção, com um casaco de nylon exatamente da mesma cor. Bonito dia. Passo por varredores de rua e lhes digo: “Bom dia!” E eles respondem ao cumprimento com um baita sorriso nos lábios e o sorriso destes simples trabalhadores aquece meu coração e minha alma. Como eu gosto de gente. O homem com a ferida na perna, aquele que vejo frequentemente, há doze anos na Paulista, do mesmo jeito, só um pouco mais velho, continua na cadeira de rodas. E me pergunto se realmente o inferno não é aqui mesmo. Segundo os espíritas nosso planeta não será mais de expiação. Será? Continuo acreditando na vida após a morte, mas acho que a Terra, dependendo da situação que vivemos, é o castigo e o inferno, a remissão dos nossos pecados. O outro velho mendigo, gordo, com unhas dos pés de 5 cm, mora na esquina da Pamplona com Paulista e lá está ele todas as manhãs, dia após dia. Outro, bem magro e encurvado, anda com uma barra de ferro na mão, praguejando e tentando bater em cada pedestre que passa por ele. Na mesa de um restaurante, colocada na calçada, ouço o casal que briga, logo de manhã, ela argumentando que “fulano” não a havia embebedado.
Continuo caminhando, ao meu lado passa uma mulher de turbante e logo a seguir uma executiva elegante. Um casal se beija apaixonadamente, a esta hora da manhã, provavelmente se despedindo da noite de amor. Parecem realmente apaixonados. Os contrastes são impressionantes. Passa um homem imensamente gordo, com as banhas todas balançando e com o passo lento e cansado. E logo depois uma mulher tão magra que eu podia jurar que só tinha ossos. São muitos os deficientes físicos que vejo em meia hora de caminhada. Será que é mesmo porque existem mais acidentes atualmente, como mencionou uma amiga minha ou será porque finalmente eles estão podendo sair do armário, antes confinados a suas casas, dependendo de algum parente ou amigo. Agora saem, trabalham, vão ao cinema, vão aos Shoppings e estão convivendo e interagindo com o mundo ao seu redor. Isto é muito bom. Hoje vi seis deles indo para seus trabalhos e um deles cortou meu coração. Um rapaz bonito, de terno, uns 35 anos, sem braços e sem pernas. Indo para o trabalho. Dois casais de gêmeos. Duas jovens adolescentes com rosto cheio de espinhas, bonitinhas, são idênticas. E dois rapazes um pouco mais velhos. Um casado e outro solteiro. Como eu sei? Eles pararam do meu lado para atravessar a rua. Os dois no mesmo gesto, com os braços na cintura, como açucareiro. Um tinha aliança de ouro nova, brilhando, outro não. O “solteiro” tinha um jeito mais descontraído, sapatos estilo mais casual, camisa arregaçada nas mangas. O outro era mais sério, todo certinho e mais tradicional. A rua é um filme de Fellini e podemos ver os tipos mais estranhos. A jovem de mini saia colorida, botinhas, cabelos longos avermelhados e longos até a cintura, linda e ao lado dela, logo a seguir, passa um rapaz baixinho, débil mental, careca, branco, quase transparente, sozinho, com as sacolas do super mercado.
Destinos, vidas, dores, frustrações, alegrias. Olho seus rostos e tento imaginar suas vidas. E assim caminhando aprendo, rezo e agradeço a vida.

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